Textos Digitais
O TextosDigitais é um deposito de textos que vão de psicologia até cibercultura, contemporaneidade, filosofia, arte, cinema e várias outras coisas afins.
Visite também o blog de Eduardo Natário, o TextosComunicação e o Cibercultura.
Clique aqui para ver arquivo do TextosDigitais, e aqui para deixar um comentário ().

Sexta-feira, Maio 30, 2003

A industria da recolocação

(Esse texto foi retirado do ar)

Comentários?
.: Publicado em TextosDigitais às 15:55


Sexta-feira, Maio 23, 2003

Eggers refuta rótulo de pós-modernismo
Leia a continuação da entrevista com Dave Eggers. (CEM)

Folha - Em diversas entrevistas que deu, e também em seu livro, você é muito crítico consigo mesmo. Tem algo das memórias que você se arrepende de ter escrito? Se fosse refazer o livro você pularia o prefácio, como sugere aos leitores que o façam?
Dave Eggers - Ah, se pudesse escrever de novo "Uma Comovente Obra de Espantoso Talento" eu daria um jeito de embrulhar toda a história dentro do prefácio. Esse era, na verdade, o plano. Pensava em assentar tudo dentro da estrutura de explicações e desculpas. Olhando o livro hoje acho que o prefácio é ainda minha parte predileta.

Folha - Muitos comentaristas de seu livro falaram alguma hora sobre pós-modernismo. Você acha que existe algo de pós-moderno em sua literatura ou na de escritores próximos a você?
Eggers - Eu nunca li alguma definição de pós-modernismo que achei que fosse convincente ou precisa para descrever a arte contemporânea. Dessa forma, eu me excluiria desse grupo. Mas que há um grupo de autores americanos jovens abaixo dos 40 ou com pouco mais do que isso que dividem muitos objetivos e ferramentas estéticas eu concordo, só não sei como chamá-los.

Folha - Em 1995 um livro chamado "Fragmentos", assinado por Binjamin Wilkorski, sobre tristes memórias de uma criança judia em tempos de Holocausto, causou comoção mundial. Anos depois, descobriu-se que era tudo falso. Existe algo de inventado em seu livro? O que você, um "memorialista", acha de falsas memórias?
Eggers - Eu acredito que desde que o homem começou a escrever memórias ele vem mentindo nelas de alguma forma. É inevitável que algumas travessuras se perpetuem. Mas um livro de memórias falsas sobre o Holocausto é algo tão repugnante quanto se pode achar algo repugnante.

Folha - Uma de suas "travessuras" é dizer na introdução de "Uma Comovente Obra de Espantoso Talento" que você daria US$ 5 para os primeiros 200 leitores que te mandassem uma carta. Quantas cartas você recebeu pedindo os US$ 5?
Eggers - Eu recebi mais ou menos 1.200 cartas de resposta, mas poucas delas pedindo os US$ 5. Era todo mundo muito legal. Demorei para conseguir distribuir os US$ 2.000 que me propus.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1905200306.htm
Autor:

Comentários?
.: Publicado em TextosDigitais às 15:09


TELEVISÃO
Cultura e Gazeta atraem público similar

Com programações totalmente distintas, as TVs Cultura e Gazeta têm públicos com perfis econômicos semelhantes. São as emissoras abertas com maior participação de classe AB, a mais rica, entre seus telespectadores. A grade da Cultura é predominantemente infantil, enquanto a Gazeta transmite programas femininos, religiosos e de televendas.
Segundo o Ibope, o público da Gazeta, embora pequeno, é formado por 39,1% de pessoas da classe AB, 42,7% da classe C e por apenas 18,3% de telespectadores da classe DE, a mais pobre. A TV Cultura registra uma audiência formada por 37% de classe AB, 39,6% de C e 23,4% de DE.
Ambas as redes registraram audiência média diária de apenas 1 ponto na Grande São Paulo em 2002 (onde cada ponto equivale a cerca de 48,5 mil domicílios).
A qualificação econômica é fator determinante na distribuição de verbas publicitárias. Mas a Gazeta, que tem público mais adulto do que a Cultura, é praticamente ignorada por grandes anunciantes, por causa da baixa média diária de audiência.
A rigor, Globo (média diária de 20 pontos) e SBT (10 pontos) são as redes que atingem o maior público qualificado. O público da Globo é 33,9% de AB, 40% de C e 26,1% de DE. O do SBT, 22,6% de AB, 41% de C e 36,3% de DE. A audiência da Record (4 pontos) é composta por 28,2% de AB, 39,4% de C e 32,4% de DE.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1905200303.htm
Autor: DANIEL CASTRO

Comentários?
.: Publicado em TextosDigitais às 15:07


MONDO CANNES
DISSINTONIA

Americanos questionam "protecionismo" europeu
Cannes aqueceu o debate sobre a hegemonia americana na indústria do cinema. Sony, Disney, AOL, Yahoo e Amazon.com divulgaram carta contrária à adoção de medidas de proteção aos cinemas europeus. A Associação de Realizadores e Produtores da França se diz "consternada pela intrusão de multinacionais do audiovisual e do comércio eletrônico nos negócios europeus".

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1905200318.htm

Comentários?
.: Publicado em TextosDigitais às 15:06


Corporação de Murdoch inicia avanço no mercado nacional por meio da Fox e da Sky; futebol é a grande arma
News Corp. aposta em produção de conteúdo

"Proezas do Satanás...', de 1967, está sendo restaurado no projeto Amigos do Cinema

Aos 72 anos, Rupert Murdoch, magnata internacional da mídia, dá os primeiros passos para conquistar o mercado brasileiro.
Fox e Sky, canal e operadora de TV por assinatura do conglomerado do empresário, uniram-se pela primeira vez no Brasil para investir na recuperação de antigas e raras obras do cinema nacional.
São dois os objetivos principais: agregar às marcas de Murdoch uma imagem "do bem" (de valorizar a cultura nacional) e investir em conteúdo exclusivo, já que os direitos de exibição dos longas vão ficar com a Fox e a estréia será num canal vago da Sky.
A exclusividade na programação costuma ser a grande arma de Murdoch nos países onde penetra. No Brasil, não é diferente.
A Sky (operadora de TV por assinatura via satélite digital, com 740 mil assinantes) foca nesse rumo desde julho do ano passado, quando o controle da empresa deixou de ser das Organizações Globo e passou para a News Corporation, de Murdoch (há um terceiro sócio, a Liberty Media).
No final do ano, a operadora iniciou a transmissão exclusiva para o Brasil do Fox News, canal ultraconservador de notícias, que ultrapassou a audiência da CNN nos Estados Unidos. Além disso, tem ampliado o número de atrações do sistema "pay-per-view".
A empresa Fox do Brasil, também controlada pela News Corporation, é responsável pela programação de quatro canais de TV por assinatura: Fox, Fox Kids, Fox News e National Geographic.
Antes especializado em séries, o canal Fox dá cada vez mais à sua programação a marca da diversidade. A mudança é estratégica: abrir espaço a eventos esportivos exclusivos, o que Rupert Murdoch usa como uma espécie de "xeque-mate" à concorrência.
Enquanto estuda a introdução do Fox Sports no país, o executivo aproveita o "Fox Variedades" para entrar na disputa esportiva com a Globo. Atualmente, o canal é o único da TV paga a exibir a Libertadores. E, durante a partida de futebol, lá está o selo do Fox Sports, um aviso de que ele, aos poucos, está chegando.
"O nosso objetivo é oferecer cada vez mais conteúdos diferenciados e de qualidade para o nosso assinante", diz Ricardo Miranda, presidente da Sky do Brasil.

"Proeza de Satanás"
O primeiro filme contemplado pela iniciativa da parceria Fox/Sky é "Proezas de Satanás na Vila do Leva-e-Traz", de 1967.
A direção é de Paulo Gil Soares (1935-2000), parceiro de Glauber Rocha (atuou como assistente de direção, co-roteirista, cenógrafo e figurinista de "Deus e o Diabo na Terra do Sol", de 1963), e a trilha sonora, dos então iniciantes Caetano Veloso e Gal Costa.
Batizada de Amigos do Cinema, a ação é dividida em três etapas. Em cada uma, serão recuperados 13 filmes: um que necessite de restauração mais complexa e 12 com processos mais simples. Ao todo, serão 39 obras, que ficarão prontas ao longo de três anos.
A exibição de "Proezas de Satanás..." e de outros 12 longas deverá acontecer entre junho e julho, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, com direito a uma forte campanha de marketing.
Em seguida, os 13 vão ao ar pela Sky, para todos os assinantes, sem cobrança de valor adicional ao da mensalidade (a operadora, no entanto, estuda uma maneira para que o telespectador possa fazer uma contribuição financeira voluntária, via controle remoto).
Posterior à estréia na TV pela Sky, a Fox (disponível em todas as operadoras) deverá exibir um pacote com os longas recuperados.
As empresas ainda não definiram todos os títulos para o restauro. Além da cinemateca, pretendem se aliar a outras entidades ligadas ao audiovisual, como o Museu da Imagem e do Som.
Tudo dependerá também da escolha das obras. No caso de "Proezas do Satanás...", nenhuma das cópias encontradas no país estava em condições de reparo. Pesquisadores acabaram descobrindo na Cinemateca de Paris um exemplar em melhor estado.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1905200312.htm
Autora: LAURA MATTOS

Comentários?
.: Publicado em TextosDigitais às 15:04


Doutrina Bush contamina irmãos Wachowski

É difícil desvincular qualquer produção artística norte-americana feita de 2000 para cá da onda de neoconservadorismo que assola os EUA desde que George W. Bush "ganhou" as eleições presidenciais daquele ano.
Há os que incorporam e então refletem docilmente a nova realidade, caso das comédias de segunda linha "Sou Espião" (o primeiro filme da Doutrina Bush) e "Encontro de Amor" (que "prova" que nos republicanos também bate um coração).
Há os anticristos, como Michael Moore e seu "Tiros em Columbine". E havia -pelo menos é o que se pensava- os que eram maiores do que o seu tempo, como os irmãos Andy e Larry Wachowski, dois nerds trintões que mudaram de novo a ficção científica ao lançarem "Matrix" em 1999.
Infelizmente, também a dupla se deixou contaminar pelo clima "ou nós ou eles" que toma o país do ataque terrorista de 11 de setembro, da guerra do Afeganistão e da invasão do Iraque. A prova é "Matrix Reloaded", que estréia com barulho hoje no Brasil.
Enquanto o primeiro contava a saga de uma turma de revolucionários que ousava partir para a guerrilha armada de um jeito tão romântico que era quase hippie, esse mostra o mesmo grupo de pessoas, mas inserido num militarismo totalitarista. O que misturava com sucesso conceitos religiosos, filosofias orientais e uma pitada transcendental no original, agora virou puro quebra-pau.
A certa altura, Morpheus (Laurence Fishburne) faz um discurso para as massas que poderia ter sido dito por Bush a bordo do porta-aviões Abraham Lincoln; além disso todos o tratam por "sir"; e o roteiro tem aqueles cacoetes chatos de "Guerra nas Estrelas", com conselhos e conselheiros.
Só faltou o Jar Jar Binks.
Não dá para deixar de fazer o paralelo também -tenha sido ele intencional ou inconsciente por parte dos diretores- quando o tal conselheiro-mor fala da diferença entre as máquinas "do bem", que fazem o serviço sujo para os humanos, e as máquinas "do mal", que os querem destruir. Troque máquinas por imigrantes e humanos por norte-americanos, e eis um retrato do atual estado das coisas nos EUA.
Assim, é natural que o que mais se destaca agora seja a evolução técnica, realmente impressionante, principalmente na cena em que Neo (Keanu Reeves) luta com dezenas de Agentes Smith e na já tão falada rodovia, em que acontece a perseguição principal.
(Mesmo aqui, cabe um parênteses desconfiado: a maior parte dessas cenas foi atuada por simulações digitais de atores, e não atores em si, assim como a câmera que as filmou não era sempre uma câmera, mas outra simulação digital. É mesmo arte ou "Matrix" virou uma matriz?)
Pela revolução tecnológica (e é o caso mesmo de usar a palavra "revolução"), "Matrix Reloaded" mereceria avaliação máxima; pela história, a mínima.
Fica então com duas estrelas.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2205200323.htm
Autor: SÉRGIO DÁVILA

Comentários?
.: Publicado em TextosDigitais às 15:01


CineGame
Jogo, animação e filme se enredam no mundo concreto e virtual de "Matrix Reloaded"

Onde começa um e termina o outro? Em se tratando de "Matrix", trilogia ciber-espiritual dos irmãos Wachowski, a questão acima não é das mais fáceis de serem respondidas. Que mundo virtual e mundo concreto, sonho e realidade são praticamente sinônimos já havíamos aprendido no filme anterior. Mas o enigma de "Matrix Reloaded", que estréia hoje em algumas salas do país, é: cinema e videogame, onde começa um, onde termina o outro?
Lançado no último dia 15, nos Estados Unidos, "Reloaded" marca não só o final de uma espera de quatro anos pela sequência daquele que é provavelmente o filme de maior impacto para a renovação dos efeitos especiais nos anos 90, como também um novo jeito de encarar o cinema: a não-linearidade.
Tão milenar quanto o budismo, que reveste cada fotograma da história dos Wachowski, tão pós-moderno quanto o conceito de hipertexto da internet, em que, na medida em que escolhe um caminho, o leitor deixa inúmeros outros para trás, a idéia das escolhas que se dão no filme e fora dele é central dentro da proposta de entretenimento de "Matrix", que, simultaneamente a "Reloaded", vê o lançamento de um game ("Enter the Matrix"), uma série de animação ("Animatrix") e até do trailer da terceira e já finalizada parte ("Revolutions").
"O que estamos fazendo aqui não é só mais uma propriedade licenciada, um conjunto de bonequinhos de plástico", afirma David Perry, presidente do estúdio Shiny Entertainment, responsável não pelo filme, mas pelo jogo. "Enter the Matrix" é uma parte inteiramente pensada de todo o universo de "Matrix" e resulta de um modo completamente novo e particular de colaboração entre a indústria de games e Hollywood. Os irmãos Wachowski, os roteiristas e diretores dos filmes, todos estão também por trás do jogo."
E é verdade: correndo paralelamente à história de "Reloaded", "Enter the Matrix", que tem 244 páginas de roteiro e cenas digitalizadas de praticamente todo o elenco, preenche várias lacunas do primeiro e, não raro, cruza com o longa-metragem em certos pontos de contato -o mesmo acontece com "Animatrix", que, por sua vez, dá o pontapé inicial para o jogo e antecipa alguns eventos do segundo filme.
"Estamos trabalhando há dois anos e meio nesse jogo e acreditamos que, quando o público perceber como ele se relaciona com o filme, vai ficar de queixo caído. E, uma vez que Hollywood veja, você nunca mais terá uma dobradinha filme/jogo sendo feita à moda antiga outra vez", aposta Perry.

De volta à "realidade"
O namoro entre Hollywood e os (adeptos dos) games tem ficado cada vez mais sério. Responsáveis pelas maiores bilheterias de estréia da história recente, filmes como "Homem-Aranha", "X-Men", "Senhor dos Anéis" e o próprio "Matrix Reloaded" -que faturou quase a metade do que gastou (US$ 300 milhões) em uma semana- já nascem marcados para a nova geração de consoles e PCs, cuja tecnologia os aproxima daquilo que poderia ser chamado de um filme interativo.
E o caminho inverso, dos games que viram filmes, também já é uma realidade quando vemos heroínas como Lara Croft, do jogo hit "Tomb Raider" vestindo a pele de Angelina Jolie. "Resident Evil" e "Final Fantasy", dois outros títulos familiares para os jogadores, também já ganharam as telonas. "O maior desafio foi criar um mecanismo que nos permitisse recriar eventos super-humanos de maneira ilimitada. Queríamos dominar o uso de humanos e ambientes virtuais efetivamente", conta John Gaeta, diretor de efeitos visuais da trilogia, que utiliza as mesmas técnicas de um diretor de videogames ("mocap"). Quando você vir Neo lutando com cem clones do Agente Smith, vai entender o que ele está falando...

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2205200322.htm
Autor: DIEGO ASSIS

Comentários?
.: Publicado em TextosDigitais às 15:00


Von Trier radicaliza propostas do Dogma

Lars von Trier vive caindo em contradição. Ele foi a voz mais ativa na divulgação do manifesto "Dogma 95", mas fez um único filme respeitando suas regras ("Os Idiotas", de 1998). Dois anos depois, negou-as no musical "Dançando no Escuro", com Björk. Quando levou a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2000, disse que não voltaria a competir. E cá está ele outra vez, disputando. "Não acredite em mim", disse Von Trier à Folha.
O gosto pela polêmica rendeu-lhe a fama de "marqueteiro" -coisa que é, mas que termina ofuscando uma obra sólida e, sobretudo, mais coerente do que suas declarações públicas. O novo filme do cineasta, "Dogville", é forte exemplo dessa coerência.
São três horas de projeção de algo que está entre a literatura e o teatro, mas não deixa de ser cinema. Dentro de um estúdio há um palco retangular. Cada espaço demarcado traz um sinal ("casa de fulano" etc.). Quando é dia, o fundo é branco; quando é noite, preto. Cartelas indicam a passagem dos capítulos. Simples assim.
Tal simplicidade permite evoluções complexas. Com a ajuda de um narrador (John Hurt), o público conhece a infortúnia de Grace (Nicole Kidman), jovem que foge de gângsteres e se refugia na minúscula cidade de Dogville. A partir daí, Von Trier constrói uma fábula de situações metafóricas.
"Dogville" radicaliza as propostas do Dogma. Segundo o diretor, a decisão final em relação ao estilo despojado foi tomada depois de ele ter assistido a "O Senhor dos Anéis" e sua avalanche de efeitos digitais. "Quando um garoto com um mouse torna tudo possível, o cinema fica chato."
Em outro sinal de coerência, o diretor volta a criar uma personagem marcada pela pureza, vítima da crueldade humana, que se manifesta respaldada pela razão. E, de uma forma mais pontual que em "Dançando no Escuro", que fazia uma crítica à pena de morte, "Dogville" expõe um ponto de vista político. Von Trier quer demonstrar, em forma de parábola, as formas de utilização do poder por aqueles que estão numa situação mais forte. Os diálogos são frios, detalhe que o cineasta busca compensar no trabalho dos atores e com a aproximação da câmera.
"Dogville" é longo, mas é sua duração que permite um "crescendo" essencial, culminando com um desfecho de impacto. Mais forte, até, que o de "Dançando no Escuro".

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2205200307.htm
Autor: PEDRO BUTCHER

Comentários?
.: Publicado em TextosDigitais às 14:58


Provocativo em forma e conteúdo, "Dogville", do diretor dinamarquês, faz críticas aos EUA
A vingança de Lars von Trier
Paul Bettany e Nicole Kidman estão em "Dogville", que inicia nova trilogia do cineasta

Mais uma vez, a passagem de Lars von Trier, 47, pelo Festival de Cannes despertou amor e fúria. A exibição de "Dogville", na segunda, exaltou os ânimos de um evento que estava morno.
Não sem razão. O novo Von Trier, capítulo inicial de uma trilogia passada nos EUA e estrelada por Nicole Kidman, é pura pólvora, provocativo na forma (filmado em estúdio, sem cenários, com duração de três horas) e no conteúdo (um ato de vingança).
Pelos quadros de cotações das publicações de Cannes, o filme poderá dar ao diretor dinamarquês sua segunda Palma de Ouro depois de "Dançando no Escuro" (2000). Mas este foi o filme que recebeu o mais violento ataque de um crítico até agora: Todd McCarthy, da revista "Variety", acusou o cineasta de desferir um "golpe nos valores americanos, óbvio em suas intenções e obscuro como experimento artístico".


Folha - O senhor já leu a crítica da "Variety"?
Lars von Trier - Não, mas tenho a impressão de que vou ficar muito orgulhoso depois que ler.


Folha - O que o senhor acha da leitura anti-americana que estão fazendo de "Dogville"?
Von Trier - É uma leitura redutora. Não fiz um filme sobre a América, mas um filme que se passa numa terra chamada América e que me veio à cabeça enquanto pensava em várias coisas. A idéia era dar um sentimento americano, mas a história poderia se passar em qualquer cidade pequena.


Folha - Mas são claras as críticas aos Estados Unidos...
Von Trier - Sim, ele reflete uma posição política. Acredito que, se você é o garoto mais forte da turma, primeiro você precisa ser piedoso e, segundo, você precisa aceitar críticas. Não é o que vem acontecendo nos EUA. Acredito que mais ou menos 10% da população americana tenham uma visão parecida com a minha, mas veja bem: o mesmo vale para o meu país, a Dinamarca.
De onde se conclui que, pela proporção, existem mais pessoas com quem eu concordo nos EUA que em meu próprio país... Não sou anti-americano. Como se pode ser contra algum país e contra a sua população inteira? Mas sou contra a política de Estado que vejo nos EUA e fui contra a guerra do Iraque.


Folha - A forma de parábola de "Dogville" permite esta leitura, a da defesa de uma vingança contra o poder dos EUA como nação?
Von Trier - De forma alguma eu defendo atos de vingança no filme. Sei que algumas pessoas podem entendê-lo dessa maneira, mas que considero tão estúpida quanto aquela que chama "Dogville" de anti-americano.


Folha - O que o senhor acha da fama de provocador?
Von Trier - Não sei se sou um provocador, mas gosto de pensar que estou provocando a mim mesmo quando escolho um tema como a vingança pessoal, por exemplo, algo que vai contra os meus princípios e que acredito ser totalmente não-civilizado.


Folha - Por isso o estilo "brechtiano", mais cerebral que emocional?
Von Trier - Certamente "Dogville" é mais cerebral e menos emocional que "Ondas do Destino" e "Dançando no Escuro", mas não sei se pelo tema. Foi assim que ele acabou se desenvolvendo a partir de várias referências, e Brecht foi uma delas. Sinto que "Dogville" está próximo a mim pela narração, pelo tom sarcástico. É meu filme mais pessoal.


Folha - "Dogville" inicia uma nova trilogia. E os outros dois filmes?
Von Trier - Já escrevi o roteiro do segundo filme, que vai se chamar "Mandalay" e vai retomar a história de "Dogville" algumas semanas depois de seu fim. As filmagens deverão começar no próximo inverno. O terceiro filme vai se chamar "Wasington", assim mesmo, sem o "h".

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2205200306.htm
Autor: PEDRO BUTCHER - ENVIADO ESPECIAL A CANNES

Comentários?
.: Publicado em TextosDigitais às 14:57


Jean Baudrillard renega "Matrix"
Pensador francês, que é citado na série, recusa participação e diz que sua visão sobre o virtual foi deturpada

Jean Baudrillard, 73, não assistiu a "Matrix Reloaded". Não viu e não gostou. O pensador francês foi procurado pela produção do filme para colaborar com seu roteiro, contou ele à Folha, mas recusou na mesma hora.
"O primeiro filme tinha desvirtuado minhas idéias. Aquela não era minha visão do virtual", opina Baudrillard, que teve seu "Simulacros e Simulações" exibido no "Matrix" original. É dentro de um exemplar desse livro que o personagem Neo guarda um disco com "drogas digitais".
Baudrillard não acha que "Matrix" seja "uma droga". Mas "existem filmes recentes melhores que este sobre o mesmo tema. "Truman Show", por exemplo, é mais sutil. Não deixa o real de um lado e o virtual de outro, como "Matrix". Esse é o problema."
Não foram esses problemas, porém, que trouxeram o pensador ao país. Palestrante de carteirinha no circuito universitário brasileiro, o autor de "A Sociedade de Consumo" pegou o avião ao Rio para receber o título de doutor honoris causa na Universidade Cândido Mendes e falar no Café Literário da Bienal carioca, onde lança o volume de artigos "Power Inferno" (editora Sulina).
Foi em torno dos temas desse livro que girou sua fala, que teve seu momento mais "power" no assunto 11 de setembro. "Talvez as torres gêmeas merecessem ser destruídas", disse. A tradutora ainda tentou confirmar se era aquilo mesmo. Ele assentiu.
Baudrillard não estava tentando preencher a ficha de inscrição na Al-Qaeda. Ele se referia à destruição simbólica de um sistema de poder que era encarnado pelos espigões do World Trade Center.
"Este terrorismo não é uma ameaça externa. É uma metáfora de uma fratura interna dos EUA", disse. O tal "Grand Canyon" estaria relacionado ao "poder sem limites americano". "Neles há uma falta de interesse total em legitimar seu poder", diz, em referência à "arrogância" dos "porta-vozes de Deus".
Baudrillard acredita que esse rolo compressor americano, que passou por cima do Iraque e do Afeganistão, "não resolveu as feridas do 11 de setembro". "O psicodrama que se seguiu a essa humilhação simbólica não foi resolvido nem com a guerra, que é sempre uma espécie de exorcismo."
E olha que os americanos teriam se esforçado, defende ele. "A TV é um simulacro do que acontece. Hoje ela se antecipa a si mesma. Ela já estava pronta para a guerra, e a guerra se desenrolou para ela", diz. "Os milhões que assistem são praticamente atores, consomem o acontecimento antes mesmo da guerra acontecer. Estamos diante de uma lógica de consumo, não mais de guerra."
E a guerra, assim, não passaria de apenas mais um "Matrix".

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2305200324.htm
Autor: CASSIANO ELEK MACHADO - ENVIADO ESPECIAL AO RIO

Comentários?
.: Publicado em TextosDigitais às 14:54


Segunda-feira, Maio 05, 2003

Uma piada de corrente de Internet.... para relaxar um poco.

CAPITALISMO IDEAL:

Você tem duas vacas.
Vende uma e compra um touro.
Eles se multiplicam e a economia cresce.
Você vende o rebanho e aposenta-se, rico!

CAPITALISMO AMERICANO:

Você tem duas vacas.
Vende uma e força a outra a produzir leite de quatro vacas.
Fica surpreso quando ela morre.

CAPITALISMO FRANCÊS:

Você tem duas vacas. Entra em greve porque quer três.

CAPITALISMO CANADENSE:

Você tem duas vacas.
Usa o modelo do capitalismo americano.
As vacas morrem.
Você acusa o protecionismo brasileiro.
Adota medidas protecionistas para ter as três vacas do capitalismo francês.

CAPITALISMO JAPONÊS:

Você tem duas vacas.
Redesenha para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e produzam 20 vezes mais leite.
Depois cria desenhinhos de vacas chamados "Vaquimon" e os vende para o mundo inteiro.

CAPITALISMO ITALIANO:

Você tem duas vacas.
Uma delas é sua mãe, a outra é sua sogra, maledetto!!!

CAPITALISMO ENRON :

Você tem duas vacas.
Vende três para a sua companhia de capital aberto usando garantias de crédito emitidas por seu cunhado. Depois faz uma troca de dívidas por ações por meio de uma oferta geral associada, de forma que você consegue todas as quatro vacas de volta, com isenção fiscal para cinco vacas. Os direitos do leite das seis vacas são transferidos para uma companhia das Ilhas Cayman, da qual o sócio majoritário é secretamente o dono. Ele vende os direitos das sete vacas novamente para a sua companhia. O relatório anual diz que a companhia possui oito vacas, com uma opção para mais uma. Você vende uma vaca para comprar um novo presidente dos Estados Unidos e fica com nove vacas. Ninguém fornece balanço das operações e o público compra o seu esterco.

CAPITALISMO BRITÂNICO:

Você tem duas vacas.
As duas são loucas.

CAPITALISMO HOLANDÊS:

Você tem duas vacas.
Elas vivem juntas, não gostam de touros e tudo bem.

CAPITALISMO ALEMÃO:

Você tem duas vacas.
Elas produzem leite regularmente, segundo padrões de quantidade e horário previamente estabelecido, de forma precisa e lucrativa. Mas o que você queria mesmo era criar porcos.

CAPITALISMO RUSSO:

Você tem duas vacas.
Conta-as e vê que tem cinco.
Conta de novo e vê que tem 42.
Conta de novo e vê que tem 12 vacas.
Você pára de contar e abre outra garrafa de vodca.

CAPITALISMO SUÍÇO:

Você tem 500 vacas, mas nenhuma é sua.
Você cobra para guardar a vaca dos outros.

CAPITALISMO ESPANHOL:

Você tem muito orgulho de ter duas vacas.

CAPITALISMO PORTUGUÊS:

Você tem duas vacas.
E reclama porque seu rebanho não cresce...

CAPITALISMO CHINÊS:

Você tem duas vacas e 300 pessoas tirando leite delas.
Você se gaba de ter pleno emprego e alta produtividade.
E prende o ativista que divulgou os números.

CAPITALISMO HINDU:

Você tem duas vacas.
Ai de quem tocar nelas.

CAPITALISMO ARGENTINO:

Você tem duas vacas.
Você se esforça para ensinar as vacas mugirem em inglês.
As vacas morrem.
Você entrega a carne delas para o churrasco de fim de ano do FMI.

CAPITALISMO BRASILEIRO:

Você tem duas vacas.
Uma delas é roubada.
O governo cria a CCPV - Contribuição Compulsória pela Posse de Vaca.
Um fiscal vem e te autua porque, embora você tenha recolhido corretamente a CCPV, o valor era pelo número de vacas presumidas e não pelo de vacas reais. A Receita Federal, por meio de dados também presumidos do seu consumo de leite, queijo, sapatos de couro e botões, presumia que você tivesse 200 vacas e, para se livrar da encrenca, você dá a vaca restante para o fiscal deixar por isso mesmo...

Fonte: da Internet (anonimo)

Comentários?
.: Publicado em TextosDigitais às 19:48