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Sábado, Janeiro 25, 2003
Quer ser hacker? Pegue um tubo de Pringles
Sexta-feira, 15 de março de 2002 - 16h09
http://www2.uol.com.br/info/aberto/infonews/032002/15032002-17.shl
SÃO PAULO - Olha a novidade: latas vazias da batata Pringles estão sendo utilizadas pelos hackers no rastreamento de redes wireless atrás de prováveis brechas de ataque.
A descoberta da empresa de segurança i-sec está no BBCNews de hoje (15). Eles dizem que os hackers têm usado a lata vazia do salgadinho para fazer uma "antena direcional" e, com isso, aumentar a probabilidade de "escutar" redes sem fio. Depois, fazem verdadeiras expedições, munidos do "equipamento" pelo coração financeiro de Londres.
Segundo a BBC, este esquema de circular pelas ruas munido de um laptop equipado com cartão de conexão wireless para "caçar" e mapear redes foi inventado pelo especialista americano em segurança Peter Shipley.
Em uma pesquisa informal, diz a BBC, a i-sec descobriu que mais de dois terços dessas redes não possuem nenhum sistema de proteção - 67% das redes mantinha seu sistema de criptografia de sinais de rádio desligado. Para essas companhias, a empresa instruiu que poucas modificações no hardware tornariam suas redes mais seguras.
De acordo com a i-sec, se feita corretamente, a "antena de Pringles" pode aumentar a força dos sinais de rádio das redes sem fio em até 15 decibéis. Para provar, uma equipe da empresa e jornalistas da BBC deram uma volta de 30 minutos por Londres - e conseguiram captar o sinal de quase 60 redes sem fio.
IBM tenta proteger redes sem fio
Quarta-feira, 19 de junho de 2002 - 13h05
http://www2.uol.com.br/info/aberto/infonews/062002/19062002-10.shl
SÃO PAULO - A IBM Research está desenvolvendo um software que previne as redes sem fio do ataque externo. Essas redes são muito vulneráveis, e por isso consideradas paraíso dos hackers.
O software é instalado em um notebook ou em um PC e analisa o tráfico dentro de uma rede 802.11. Os dados são enviados para um servidor central, que funciona como um auditor, verificando o tráfego e as configurações da rede. Quando algum problema ou falha de configuração é detectado, o administrador é alertado pelo software.
Batizado de Distributed Wireless Security Auditor, o produto funciona como prevenção ao chamado war driving. Há algum tempo essa prática mal era conhecida, mas agora começa a ganhar popularidade entre hackers e curiosos no mundo inteiro. Esse tio de ataque consiste em rastrear redes sem fio utilizando antenas artesanais, feitas muitas vezes com latas de batata Pringles. Detectando quais redes estão desprotegidas, fica mais fácil tentar um ataque de intrusão.
Na última matéria de capa de INFO, na edição de junho que está nas bancas, nós fizemos uma experiência percorrendo os locais com maior concentração de escritórios de São Paulo. Utilizando uma antena feita com uma lata de Pringles conseguimos rastrear 43 redes wireless, sendo 35 sem nenhuma proteção.
Esse dado mostra que as redes sem fio começam a ser utilizadas pelas empresas, mas ainda não têm recebido a devida atenção para os detalhes de segurança, o que as torna muito vulneráveis
Redes sem fio abertas vão parar na calçada
Quinta-feira, 25 de julho de 2002 - 19h05
http://www2.uol.com.br/info/aberto/infonews/072002/25072002-14.shl
SÃO PAULO - Depois das latinhas de batatas Pringles, usadas como instrumento para encontrar brechas, mais um curioso fenômeno envolvendo as redes sem fio desprotegidas toma conta das ruas - literalmente. É que os endereços das redes abertas começaram a aparecer escritos a giz nas calçadas (e também nas paredes) de Londres, Copenhagem, Maryland e São José (Califórnia).
Segundo a BBC, que vem acompanhando o assunto de perto, o fenômeno - batizado como Warchalking (em tradução livre, Guerra do Giz) - surgiu no final de junho na cabeça de um web designer chamado Matt Jones que, com um giz, começou a escrever, no chão e nas paredes, os endereços das redes sem fio onde qualquer um poderia navegar pela rede livremente. Jones criou uma série de símbolos básicos para designar estas redes e a publicou em seu blog. A mania se espalhou com uma velocidade que só a web poderia proporcionar.
A matéria diz que o Warchalking deriva do Wardialling, sistema usado por hackers para conseguir conexões do tipo dial-up que estivessem dando sopa (em termos de segurança, claro) por aí, proporcionando navegação grátis. Nas palavras de Jones à BBC, exibir os endereços das redes sem fio desprotegidas é uma boa forma de "fazer com que as pessoas saibam sobre a sua existência e também onde exatamente elas ficam". (Veja, na tela da BBC abaixo, como isto é escrito nas calçadas)
O poder da batata
É impressionante o que uma lata de Pringles revela sobre as redes sem fio
POR SILVIA BALIEIRO
http://www2.uol.com.br/info/ie195/1061_1.shl
Minha primeira incursão em war driving - passeio de carro em busca de redes sem fio vulneráveis - aconteceu no dia 7 de maio, numa tarde quente, em companhia de um especialista de uma das maiores empresas de segurança do mundo. Nossas armas: um notebook, um cartão PCMCIA e uma antena artesanal fabricada com uma lata de batata Pringles. Circulando por 20 minutos dentro de um Palio na região da Berrini, um dos maiores pontos de concentração de escritórios da cidade de São Paulo, conseguimos rastrear nove redes sem fio. Estavam em prédios como a Torre Norte do World Trade Center, o Condomínio Conjunto Morumbi e o Plaza Centenário (Robocop). Até aí nada demais. Quem segue o padrão sem fio 802.11b não consegue mesmo limitar rigidamente o espaço físico de sua rede. O detalhe preocupante é que oito dessas nove redes estavam desprotegidas - seus administradores não tinham sequer se dado ao trabalho de habilitar a criptografia quejá vem com as redes 802.11b.
Agora eu sabia, por experiência própria, que a lata de batata funcionava. Na INFO, resolvemos montar nosso próprio kit de war driving e testar a segurança de redes sem fio em outros bairros de São Paulo. O usado no passeio da Berrini era da empresa de segurança. Chamamos desta vez nosso próprio consultor, Eduardo Kalnaitis. Usamos parafusos, porcas, arruelas, um pequeno fio do tipo pigtail, um conector para o cartão PCMCIA do notebook, e claro, uma lata de batata Pringles para montar nosso kit. Depois instalamos num notebook o Net Stumbler, um freeware capaz de fazer o rastreamento e detecção de qualquer rede sem fio, que pode ser baixado na internet. Assim que o cabo foi conectado na redação, no Edifício Abril, em Pinheiros, no dia 10, sexta-feira à noite, uma surpresa: captamos os sinais de uma rede tokstok_pinheiros, não criptografada. Detalhe: uma loja de móveis da rede Tok & Stok fica a 500 metros da redação.
No dia 14, terça-feira, seguimos para o coração financeiro da cidade, a região da avenida Paulista, num Uno. Lá, parados numa das esquinas, fora do carro, rastreamos duas redes abertas, ambas com o nome delboniauriemo. Estávamos a três quilômetros do laboratório de análises clínicas Delboni Auriemo. Depois percorremos outras regiões de alta concentração de escritórios, como a avenida Juscelino Kubitschek, no Itaim Bibi, e a Brigadeiro Faria Lima, ao lado. Passados 90 minutos, tínhamos rastreado 43 redes, das quais apenas oito tinham o sistema de criptografia habilitado. Ponto para o Espaço Financeiro MaxBlue, bem protegido com criptografia de 128 bits. Pipocaram na tela do notebook nomes como Unicapital, Gafisa e CPTM. Essas três redes, inclusive, sem criptografia. Nem foi preciso parar em frente aos prédios para captar os sinais das redes. Nós as identificamos mesmo dentro do Uno em movimento.
Essa facilidade é um dos motivos da popularidade do war driving (O termo é adaptado de war dialing, uma prática muito utilizada nos anos 80 para identificar redes abertas através de um modem que discava para diversos números de telefone de uma mesma região) entre hackers e aspirantes a hackers. Quem não se sente o máximo descobrindo vulnerabilidadescom uma lata de batata?
O funcionamento do sistema é bem simples. Por ser metalizada, a lata da Pringles funciona como um direcionador do sinal do cartão PCMCIA. Quando apontada para um local atendido por uma rede sem fio, a antena artesanal é capaz de captar os seus sinais.
O alcance do kit de war driving pode chegar a até dezesseis quilômetros numa área livre, sem interferências, como é comum se encontrar em Brasília. Em São Paulo ou no Rio de Janeiro, com tantos edifícios altos, não é bem assim. Quero deixar claro que o software Net Stumbler que usamos em nossa experiência apenas rastreia as redes e mostra se elas estão ou não criptografadas. Com ele não é possível invadir ou acessar informações das redes captadas. Mas isso não significa que alguém mal-intencionado não possa fazê-lo. Resumo da ópera: deixar uma rede sem fio sem criptografia é o mesmo que deixar um cabo de rede na rua para qualquer usuário de computador conectar sua máquina e fazer o que quiser.
Resposta do Delboni Auriemo
No quadro O Poder da Batata, sobre redes sem fio vulneráveis, foi mencionado o nome Delboni Auriemo, empresa de medicina diagnóstica. O que foi captado na experiência conduzida pela repórter foi apenas o nome de registro de rádios utilizados em nossa rede de comunicação. Acionamos nosso fornecedor, a Universal Comunicações, que nos informou: "A detecção feita pela reportagem, como se pode observar pelas datas e locais, refere-se a circuitos que estavam sendo instalados e ajustados, onde a transmissão é feita a texto pleno e, portanto, acessível a qualquer pessoa, já que se refere unicamente ao link de rádio e não permite acesso a qualquer tipo de dado". Adicionalmente, o mesmo fornecedor afirmou que o sistema não permite que nenhum outro equipamento - que não seja aquele programado por nós - possa se conectar e interceptar dados. À parte disto, os próprios dados são encriptados e não aceitam nenhuma intervenção que não seja originária de um computador preestabelecido. Portanto, as informações e em especial as interpretações veiculadas pela reportagem estão equivocadas.
Sérgio Davanso gestor de negócios de tecnologia da Diagnósticos da América.
Warchalking faz mal aos negócios, diz UK
Terça-feira, 06 de agosto de 2002 - 15h34
http://www2.uol.com.br/info/aberto/infonews/082002/06082002-10.shl
SÃO PAULO - O CBI, sigla em inglês para Confederação da Indústria Britânica, divulgou ontem um comunicado condenando a prática do warchalking - aquela nova mania de se escrever a giz, em paredes e calçadas, símbolos que indicam as redes sem fio sem proteção que podem ser usadas para o acesso gratuito à internet.Segundo o Vnunet.com, a CBI considera o warchalking "um incitamento implícito a atos irresponsáveis e ilegais", nas palavras do diretor da confederação, Jeremy Beale. Questionado sobre o fato de a prática ter se iniciado por culpa das empresas, que não protegeram suas redes, Beale reagiu defendendo que, mesmo assim, este tipo de invasão pode dar acesso a importantes dados comerciais das empresas, além de significar sérios riscos de segurança. "O warchalking poderia prejudicar os negócios financeira e operacionalmente, além de também comprometer a confidencialidade das informações dos clientes,", disse.
O warchalking (que, em tradução livre, significa guerra do giz) surgiu no final de junho, na cabeça do web designer inglês Matt Jones. Ele criou uma série de símbolos para indicar onde estão as redes sem fio desprotegidas e os publicou em seu blog, criando uma febre que já partiu para as ruas de outros países.
Você está vulnerável?
Teste agora se você (ou sua empresa) está prestes a escorregar. Mais: veja onde mora o perigo
POR DÉBORA FORTES
http://www2.uol.com.br/info/ie195/935_1.shl
Um notebook, uma antena artesanal feita com uma lata de batata Pringles vazia, um cartão PMCIA e um freeware. Não foi preciso muito mais que isso para nossa dupla de investigadores, formada pela jornalista Silvia Balieiro e pelo engenheiro Eduardo Kalnaitis, localizar 43 redes sem fio de empresas nos espigões de escritório de São Paulo, nas avenidas Paulista e Faria Lima. Detalhe: das 43 redes que pipocaram no nosso notebook, 35 estavam desprotegidas - isto é, sem criptografia, de portas abertas para os ataques dos hackers (leia mais sobre nossas aventuras com a batata Pringles na página 62).
As redes sem fio são apenas um entre zilhões de elos fracos que formam hoje o mundo da tecnologia. Estamos todos sob a mira dos malfeitores digitais. Eu, você, sua empresa. Paradoxalmente, agimos quase como se o perigo não estivesse à espreita. Pior: quem menos ameaça é quem mais aparece. Os defacers até que chamam a atenção. Eles picham sites com frases freqüentemente estapafúrdias, fazem estardalhaço de suas obras e se tornam pequenas celebridades do mundo high tech. Quem não cansou de ouvir falar das estripulias dos crackers brasileiros do Prime Suspectz ou do Silver Lords? Só no ranking do grupo alemão Alldas.org as pichações subiram de 4493 em 2000 para impressionantes 22379 no ano passado - ou seja, um crescimento de 498%. Esse tipo de pecadilho faz barulho, mas não é aí que mora o perigo.
A coisa realmente pega quando se olha para o comércio eletrônico. Aqui as vítimas do crime digital estão dos dois lados da tela: são tanto quem vende quanto quem compra. No ano passado, as fraudes em lojas online chegaram a 700 milhões de dólares, segundo as estimativas do Gartner Group. Os dados do instituto mostram ainda que 5,2% dos compradores online já foram vítimas de algum tipo de fraude com cartão de crédito. Roubo de identidade? Também tem: já atingiu 1,9% dos consumidores da internet.
Não é só o internauta anônimo que está ameaçado. As empresas se tornaram um alvo preferencial de crackers. Uma pesquisa realizada pelo FBI neste ano apontou que 90% de 503 companhias pesquisadas já detectaram alguma brecha de segurança. Não faltaram mouses habilidosos para explorá-las. Quarenta por cento dessas empresas sofreram invasões externas e 40%, ataques DOS (denial of service). Os vírus atingiram 80% delas.
As perspectivas não são animadoras. O SecurityFocus estima que ao longo deste ano serão descobertas 50 novas vulnerabilidades de segurança de software por semana, contra uma média de 30 no ano passado. E como ficamos em meio a tudo isso? Faça nossos testes, nas próximas páginas, e veja como se defender.
Hacker de xerox
Há dois meses, a polícia prendeu uma quadrilha no Rio de Janeiro que usava documentos e cartões de crédito interceptados para fazer compras no site Ingresso.com (www.ingresso.com.br). Táticas sofisticadas do mundo hacker passaram bem longe do caso. Como conseguiam os dados? Um dos membros da quadrilha trabalhava com uma máquina de xerox e costumava tirar cópias "extras" de documentos dos clientes, como CIC e RG, para fazer os cadastros no site. As informações usadas não eram apenas de desconhecidos. Um deles chegou a fazer as compras com o número do cartão de crédito do próprio chefe. O prejuízo do site, que acabou não recebendo das operadoras de cartão de crédito, passou de 5 mil reais, o equivalente à compra de cerca de 500 ingressos. "Depois disso, começamos a buscar mais informações para validar o cadastro dos clientes", diz Jorge Alberto Reis, presidente do Ingresso.com.
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Sexta-feira, Janeiro 24, 2003
Algumas Antenas....
- http://www.superpass.com
- http://www.netnimble.com/products/index.html
- http://www.teamelectro-comm.com/shopping/ (search for "2.4 Ghz antenna")
- http://www.maxrad.com/_2ghz-6ghz.sht
- http://www.hyperlinktech.com/
- http://www.teletronics.com/Products/products.htm
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A Internet sem fio e sem licença
Há poucos anos, quando se tentava erguer a rede Internet no País, uma das descobertas da equipe envolvida era que já haviam chegado antes de nós os radioamadores, que já se comunicavam usando seus computadores em escala mundial numa rede totalmente própria. Na época (há dez anos), a LABRE (Liga Brasileira de Radioamadores) coordenava os trabalhos dos entusiastas, e no Rio de Janeiro existia já uma rede na cidade funcionando com a velocidade marcante para a época de 9.600 bps. Comunicação internacional podia ser feita usando transmissões em HF (ondas longas) a taxas de 300 bps, ou através de alguns satélites de baixa órbita, próprios da comunidade radioamadora. O principal serviço era de correio eletrônico, e ele não era muito rápido para distâncias intercontinentais. Mais tarde os radioamadores pegavam carona no crescimento explosivo da Internet, adotaram o padrão TCP/IP para seu uso interno, e chegou a ser organizada sua rede mundial como uma espécie de rede privada virtual (VPN), onde ilhas de comunicação por rádio são interligadas por "túneis" através da Internet pública. Para poder comunicar dados por rádio, era necessário ser licenciado como radioamador, e esta exigência limitou bastante o crescimento desta rede. Há alguns exemplos do uso desta tecnologia em outros contextos, por exemplo em escolas públicas de algumas cidades próximas de Porto Alegre, em projetos coordenados pela profa. Léa Fagundes da UFRGS, mas era necessário que os responsáveis técnicas nas escolas se licenciassem como radioamadores.
A grande atrativa das redes de rádio é fugir dos custos das telecomunicações comerciais. Os radioamadores são um vertente disto, mas hoje em dia há outros, potencialmente mais importantes, pelo menos do ponto de vista da Internet. Está bem sedimentado o uso de rádio para ligações ponto a ponto no mundo das telecomunicações, e as redes de microondas estão aí, no Brasil desde os anos 70. Nesta parte do espectro, também é necessário o licenciamento pelo governo, hoje através da Anatel, e os equipamentos estão razoavelmente caros, embora estejam de custo decrescente. O que tem contribuído para a queda dos preços é a liberação de uso, sem uma licença, de várias faixas do espectro nos últimos anos. Por exemplo, sob condições de uso de baixa potência de sinal, qualquer um pode transmitir em porções das faixas de 900 MHz e 2,4 GHz, com a técnica de espectro espalhada. A primeira destas faixas também inclui uma reserva para telefonia celular, e é usada também pela segunda geração de telefones fixos sem fio.
O padrão 802.11 da IEEE (Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos dos EUA - http://www.estadao.com.br/tecnologia/coluna/stanton/2001/mar/26/%20http://www.ieee.org/)define uma tecnologia de rede local, com taxa de transmissão de até 2 Mbps, para as faixas não licenciadas acima mencionadas. Várias fabricantes lançaram produtos para este padrão, inclusive a Apple, a Lucent, a Cisco e a Bay Networks (agora Nortel Networks). O produto da Lucent era chamado de Wavelan, e este nome se tornou sinônimo da tecnologia. As vantagens destes produtos, do ponto de vista de quem monta redes, é a dispensa de cabeamento, o que pode apresentar vantagens com computadores fixos em prédios onde fica inconveniente a passagem de cabos, e especialmente quando a rede se estende por mais de um prédio. Normalmente o alcance de uma rede destas é da ordem de 100 metros, mas pode ser estendido pelo uso de antenas com maior ganho do que aquelas embutidas nas placas de rede. No caso específico de antenas direcionais, a tecnologia pode ser usada para implementar enlaces ponto a ponto, e tem casos documentados do seu uso no País para distâncias de mais de 40 km (www.rnp.br/newsgen/9806/wireless-wan.shtml ).
Mais recentemente foi lançado o padrão 802.11b do IEEE, que eleva de 2 para 11 Mbps a taxa de transmissão, e parece ser fadado de se tornar o padrão do mercado de redes locais de rádio, em competição direta com redes Ethernet de 10 Mbps. O grande tcham desta solução é a aplicabilidade para equipamentos portáteis, e a principal apresentação dos novos produtos 802.11b é em forma de cartões PCMCIA, para uso em notebooks, ao preço de aproximadamente US$150 (wavelan.com ). Conheci a tecnologia de rede local de rádio em abril do ano passado, quando fui numa conferência em Las Vegas. Naquela ocasião, os cartões de notebook, ainda de 2 Mbps, eram emprestados aos conferencistas, que podiam então se comunicar com a Internet a partir de qualquer ponto do centro de conferências usado. Menos de um ano depois, fui numa outra conferência onde a maioria esmagadora de conferencistas já vinham com seus próprios cartões de 802.11b. Só os "novos pobres" sem cartão de rádio tiveram que ir para uma sala especial e ligar seus cartões Ethernet 802.3 por cabo a um "hub" fornecido para dar conectividade. Ou seja, o 802.11b veio para arrasar.
Recentemente saíram reportagens na mídia norte-americana (New York Times de 22/2/2001 - http://www.estadao.com.br/tecnologia/coluna/stanton/2001/mar/26/%20http://www.nytimes.com/2001/02/22/technology/22WIRE.html , SF Gate de 22/3/2001 - http://www.estadao.com.br/tecnologia/coluna/stanton/2001/mar/26/ http://www.sfgate.com/cgi-bin/article.cgi?file=/technology/archive/2001/03/22/freewireless.dtl ) sobre reflexos desta nova tecnologia. Por exemplo, já começam aparecer provedores de acesso de rádio no padrão 802.11b no seio das grandes cidades, para servir os cafés e restaurantes nas redondezas, e nos aeroportos, sempre um lugar onde os donos dos notebooks ficam esperando forçosamente sem meios de se comunicar por computador. Algumas companhias aéreas também começam a se interessar por este mesmo mercado, durante seus vôos.
Saindo da exploração comercial, alguns já pensam que a provisão de acesso amplo à Internet via rádio poderia se tornar uma utilidade pública, que nem a eletricidade ou água. Não é claro se esta visão vai vingar, mas é certo que já começam a aparecer redes cooperativas baseadas nesta tecnologia. Em uma aparente volta aos costumes cooperativos do passado, começam a aparecer redes que ligam indivíduos dispostos a participar num esquema que traz benefícios para toda uma comunidade. A idéia é interligar computadores domésticos através de rádio, com uma das casas ligando-se a um provedor Internet comercial, por exemplo. Desta forma, os custos deste acesso seriam rachados entre os participantes. Noticia-se iniciativas deste tipo nas cidades de San Francisco, Portland e Seattle nos EUA e Londres na Inglaterra (as referências estão no artigo da SF Gate).
No caso da rede londrina, pretende-se utilizar outras tecnologias sem fio, rádio ou laser em espaço livre, para a construção de "backbones" de faixa larga, totalmente independentes dos serviços comerciais de telecomunicações. No caso de laser, a banda disponível depende da distância, e velocidades de até 1 Gbps são reportadas para distâncias até 200 metros (www.nwfusion.com/edge/news/2001/115468_01-15-2001.html). Para distâncias maiores, já começa a aparecer o novo padrão de rede metropolitana de rádio 802.16 do IEEE, que prevê taxas de transmissão até 54 Mbps na faixa entre 5,2 e 5,8 GHz. Nos EUA esta faixa foi liberada para uso sem a necessidade de licença pela FCC, a Anatel dos EUA (www2.arrl.org/arrlletter/97/970117), e já estão disponíveis equipamentos, de tecnologia proprietária, que fornecem uma ponte entre redes locais Fast Ethernet (100 Mbps) a distâncias até 10 km a um custo de US$23.000 (por exemplo, o produto Stratum 100 da Proxim - http://www.estadao.com.br/tecnologia/coluna/stanton/2001/mar/26/%20http://www.proxim.com/support/stratum/faq.shtml).
Todas estas tecnologias fornecem soluções para resolver de forma alternativa o problema de acesso, também conhecido como o problema do último quilômetro. As de mais baixa velocidade são soluções individuais ou domésticas, as de velocidade mais alta servem também para as empresas. Nos EUA esta nova faixa de uso sem licença é conhecida como U-NII (Unlicensed access to the National Information Infrastructure - com dispensa de licença para fazer acesso à Infra-estrutura Nacional de Informação). Esta faixa ainda não foi assim designada pela Anatel, mas, como os equipamentos já começam a aparecer no mercado mundial com preços razoavelmente acessíveis, espera-se que não demore a sair esta designação.
Enfim, as tecnologias sem fio estão em pleno desenvolvimento, e ainda têm muito a contribuir para a extensão do acesso à Internet, devendo levar a uma queda sensível do custo de acesso pela rede fixa de telecomunicações. Quem viver verá.
Michael Stanton (michael@ic.uff.br ), que é professor titular de redes do Instituto de Computação da Universidade Federal Fluminense, escreve neste espaço todas as semanas sobre a interação entre as tecnologias de informação e comunicação e a sociedade. Os textos das colunas anteriores também estão disponíveis para consulta.
Fontes:
- ttp://www.estadao.com.br/tecnologia/coluna/stanton/2001/mar/26/13.htm
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23:57
Ao vivo e sem fio
Hoje em dia, é difícil é evitar a banda larga sem fio (Wi-Fi). A idéia de que podemos nos conectar à Web de qualquer parte, por meio de uma porta sem fio, está realmente na moda. Companhias de telecomunicações de todo o mundo estão emaranhadas em uma batalha para estabelecer antenas a fim de convencer empresários a assinar com elas. Mas o que não é tão conhecido é que se essas empresas não agirem com rapidez, podem ser atropeladas por um modelo alternativo de Internet sem fio, capaz de privá-las dos ganhos que projetam para o futuro. Um grupo mundial de amadores visionários vê o Wi-Fi (wireless fidelity) como maneira perfeita de escapar à regulamentação governamental e aos gigantes das telecomunicações.
O wi-fi, ou, mais precisamente, o IEEE 802.11b, é o padrão de rádio usado para redes de computadores sem fio. Em lugar de conectar cabos coaxiais -o que sai caro-, o Wi-Fi permite que as pessoas enviem até 11 milhões de bits por segundo para, digamos, todo um prédio usando uma banda do espectro de microondas que não é regulamentada -pelo menos por enquanto. Mas em 1997, dois projetistas de novas mídias que trabalham em Londres, James Stevens e Julian Priest, descobriram um uso mais profundo para o wi-fi.
Os dois trabalhavam em empresas localizadas uma de cada lado da mesma rua, e a empresa de Stevens pagava por uma dispendiosa conexão de alta velocidade com a Internet. Seria muito melhor compartilhar essa linha, mas instalar um cabo cruzando a rua seria ilegal. Assim, em lugar disso, eles compraram um par de transceptores de microondas e criaram a primeira intranet de bairro.
Com base nesse arranjo, desenvolveu-se a idéia de uma alternativa sem fio à Internet. Os transceptores wi-fi tinham alcance de apenas cerca de 100 metros, mas e se centenas desses "pontos quentes" fossem instalados com alcances sobrepostos e cada um deles agisse como "roteador", direcionando mensagens para o ponto desejado? Surgiria uma rede que não passa pelas redes convencionais de telecomunicações.
Melhor ainda, os pontos quentes do wi-fi poderiam se estender às ruas e espaços públicos, permitindo que os usuários tivessem acesso à rede em movimento. Cartões para comunicação sem fio instalados em laptops e organizadores pessoais estão disponíveis a preços acessíveis, de apenas 40 libras, agora, de modo que qualquer pessoa dotada do equipamento certo poderia se conectar ao encontrar um hot spot e não só enviar fotos mas streams de vídeo a outros usuários conectados àquele nodo.
Muitos nós agem não só como intranets locais, mas também estão conectados à Internet, o que significa que as pessoas são capazes de navegar e verificar seus e-mails, enquanto passeiam em um parque ou tomam um chá. E tudo isso de graça. Mas Stevens calcula que com o aumento cada vez maior no número de nós, a Internet perderia progressivamente sua relevância, e toda a rede de comunicações sem fio estaria fora do controle do governo e das empresas. "Trata-se de um movimento libertário", declara ele. "As redes livres não deveriam ser restringidas; deveriam funcionar como a liberdade de expressão".
Ele definiu com precisão a sua visão em 2000, com o lançamento de "Consume the Net" [Consuma a Net], na crença de que deveria haver outras pessoas no mundo pensando como ele. "Mas não havia nada de tão parecido conosco", diz Stevens. A Consume oferece grupos de trabalho que mostram a associações comunitárias como estabelecer suas redes. A maior parte dos nós são operados por entusiastas que estabeleceram pontos quentes particulares por algumas centenas de libras. Outros são doados por organizações simpáticas ao estabelecimento de redes sem fio de acesso gratuito para os moradores locais.
Já existem talvez cerca de mil nós em todo o Reino Unido. O Arwain, um grupo de wi-fi em Cardiff, calcula que seu nó cubra uma área de 10 km2 e em breve essa área deve ser duplicada.
Em todo o mundo, centenas de pessoas que adoram computadores leram o manifesto da Consume e agiram com base em suas propostas. Surgiram redes em muitos lugares, de Seattle a Sydney e de Nova York a Melbourne.
A Personal Telco, de Portland, Oregon, tem uma rede de 75 nós dirigidos por voluntários, e acaba de ser reconhecida oficialmente como organização sem fins lucrativos. Alguns nós oferecem acesso a gente que se senta em praças e se conecta à Web com seus laptops. "A rede precisa ser onipresente, livre e gratuita, operada e dirigida pelas pessoas que a empregam", diz Adam Shand, seu fundador.
A rede NYCwireless, em Nova York, tem 160 nós. Um deles, que cobre o Bryant Park, em midtown, já tem 50 acessos ao dia. "Esse nodo custa em manutenção anual menos do que o parque gasta em sacos de lixo", diz Anthony Townsend, porta-voz da organização. O número de usuários da rede está se duplicando a cada três meses. "A decolagem começou quando o custo do equipamento caiu", diz.
A noção de redes locais ainda tem muito a avançar antes que comece a desafiar o poder do setor de telecomunicações, e as empresas deste último começam a contra-atacar. O maior adversário, em termos comerciais, é a operadora de telefonia móvel T-mobile, que estabeleceu mais de 1.600 pontos quentes de acesso nos Estados Unidos, a maioria deles em lojas da rede de cafeterias Starbucks. Os demais locais são principalmente hotéis e aeroportos, onde a empresa espera que os pontos de acesso sejam usados por viajantes de negócios que desejem conexões de banda larga com a Internet.
Pontos quentes
A expansão da alemã T-mobile do outro lado do Atlântico foi mais lenta, com apenas um punhado de nós no Reino Unido. Mas outros operadores podem perceber o potencial de lucros do sistema wi-fi. A Metronet, da Áustria, a Megabeam, em toda a Europa, e a British Telecom (BT), no Reino Unido, estão todas avançando no segmento. A BT quer estabelecer 4.000 nós nos próximos três anos, concentrados principalmente em hotéis, estações e aeroportos.
E há outros protagonistas, no segmento comercial. A Boingo e a Joltage, ambas dos Estados Unidos, oferecem às pessoas que estabelecerem pontos quentes uma parcela da receita auferida quando os usuários os empregam. Incluindo as redes comunitárias gratuitas, a Boingo calcula que tenha 700 pontos quentes nos Estados Unidos, um no Canadá e uma dúzia no reino Unido. A Joltage tem 90 pontos nos Estados Unidos e alguns na Europa e Japão.
Mas as empresas que querem chegar a esse mercado continuam a enfrentar sérios obstáculos. Uma obstrução banal é que elas ainda não concordaram quanto a um padrão de cobrança único que permita que as pessoas se conectem em qualquer ponto quente, não importa que empresa o administre. Nos Estados Unidos, um grupo setorial conhecido como Aliança de Compatibilidade Sem Fio Ethernet está tentando resolver esse problema. "Todo mundo adota abordagens ligeiramente diferentes", diz Dennis Easton, presidente da aliança. "Talvez consigamos chegar a um padrão unificado dentro de dois ou três anos".
Outro problema é a relativa insegurança do envio de dados por redes sem fio. Isso pode restringir a espécie de informação que homens de negócios desejarão transmitir de saguões de aeroporto e hotéis.
Assim, a corrida envolve empresas e organizações comunitárias. Mas alguns dos projetos comunitários já estão se tornando comerciais para financiar sua expansão. A NYCwireless está estabelecendo uma empresa para criar redes sem fios para companhias. A Free2air, um grupo de Londres, faz o mesmo. "Estamos tanto vendendo quanto distribuindo largura de banda gratuitamente", diz Adam Burns, da Free2air.
O grupo está desenvolvendo, igualmente, ferramentas que facilitam mapear a extensão dos pontos quentes. Dispõe de um sistema para ciclistas que permite que meçam a potência do sinal enquanto pedalam por um bairro. O trabalho prossegue nas "antenas virtuais" para nós de rede, e para software à prova de burrice que administre redes comunitárias.
O wi-fi comunitário certamente terá grandes dificuldades. Mas Stevens está determinado. Ele ainda acredita que sua abordagem vencerá. "O sistema de telecomunicações se paralisou", diz. "As empresas de telecomunicações afundarão, e tudo isso fomentará o crescimento de redes autônomas". Assim, povo das redes do mundo, uni-vos! Não há nada a perder exceto os fios.
Fonte: http://www.uol.com.br/inovacao/ultnot/ult763u314.shl
Autor: Max Glaskin - New Scientist
Tradução: Paulo Migliacc
Outros Links:
- Consume Net
- NYCwireless
- Free2air.org
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23:51
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