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Domingo, Dezembro 29, 2002

CLONE HUMANO?

Em animais, a eficiência da técnica de transferência nuclear tem variado entre 2% e 25%, mas os raelianos anunciaram a marca de 50%, o que seria a cada 10 tentativas de implantação de embriões-clones 5 resultariam em gravidez avançada.

PROBLEMAS DA TÉCNICA

Produtividade - A produtividade da transferência nuclear é muito baixa. No caso de Dolly, 277 tentativas foram feitas para gerar um único clone. Considera-se antiético submeter seres humanos a esse tipo de experiência.

Abortos - Por razões ainda desconhecidas, o número de embriões e fetos abortados também é muito grande. Além disso, em muitos casos as placentas se desenvolvem anormalmente.

Doenças - Especula-se que o DNA do clone já nasça envelhecido, por ser herdado de um adulto, em que os cromossomos já estão "gastos". Isso poderia aumentar a propensão para doenças degenerativas e câncer. Dolly, por exemplo, tem artrite.

Tamanho - Os clones nascem maiores que animais comuns, porque o processo de transferência pode não reprogramar corretamente os genes que controlam o desenvolvimento do embrião. Muitos acabam sofrendo de obesidade patológica.

CRONOLOGIA

1950 - Cientistas conseguem congelar sêmen de touros para serem usados posteriormente para inseminar vacas.
1952 - Robert Briggs eThomas King tentam, sem sucesso, clonar um sapo colocando um núcleo de célula de um embrião em um óvulo não-fecundado.
1953 - James Watson e Francis Crick descrevem a estrutura de dupla hélice do DNA, a molécula portadora dos genes.
1970 - John Gurdon consegue clonar um sapo, com técnica similar à usada em 1952 por Briggs e King.
1978 - Nascido o primeiro bebé de proveta, Louise.
1983 - Ocorre a primeira operação bem-sucedida com o objetivo de transferir um embrião de uma mulher a outra.
1984 - Steen Willadsen usa células embrionárias de ovelha para cloná-la. Essa técnica seria logo usada em muitos outros animais.
1990 - Surgem os primeiros animais transgênicos, porcos que produzem hormônios de crescimento humanos.
1990 - O Projeto Genoma Humano começa a decodificar e identificar o material genético do homem.
1993 - Embriões humanos são clonados pela primeira vez com sucesso.
1997 - Cientistas do Roslin Institute são os primeiros a fazer clonagem a partir de uma célula de animal adulto: nasce a ovelha Dolly.
1998 - Surgem as discussões éticas sobre clonagem. Alguns governos, incluindo o dos EUA, tentam criar leis para impedir a clonagem de seres humanos.
2000 - Cientistas do PGH e da Celera afirmam terem completado um rascunho do genoma humano. Os resultados seriam publicados no ano seguinte.
2002 - França e Alemnaha apresentam na ONU proposta para proibir mundialmente a clonagem reprodutiva.
2002 - A Clonaid afirma ter clonado um ser humano. Dizem que o bebê, uma menina chamada eva, nasceu sadia e pesa 3,2 Kg. A empresa é da seita dos realianos - que acreditam que o ser humano é obra de extra-terrestres.

Fonte: Folha de S. Paulo, 28 de dezembro de 2002 - Ciência

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Sexta-feira, Dezembro 27, 2002

MODELO PARA PROJETO DE TESE/DISSERTAÇÃO

A função primeira do projeto para dissertação de mestrado ou tese de doutorado é esclarecer ao leitor (no caso, a banca do exame de seleção), o objetivo principal do trabalho e o caminho (método) para atingir este(s) objetivo(s). O projeto deverá fornecer todos os elementos fundamentais para que se julgue a importância, pertinência e suficiência da proposta de investigação, em relação à área de concentração do Programa e à linha de pesquisa na qual deverá se inserir.

ASPECTOS FORMAIS

O projeto ideal deverá conter cerca de 12 folhas em papel A4, com 3 cm de margem em cada lado, acima e abaixo do texto, fonte TIMES NEW ROMAN 12, ESPAÇO DUPLO. Projetos com mais de 14 folhas serão penalizados na avaliação por desrespeitarem esta norma. Descontando-se a capa e os anexos, todos os demais tópicos contam como páginas.
Capa - Deverá conter minimamente: título (no máximo 15 palavras, com identificação da população, das variáveis investigadas, ou outra informação que permita identificar a área do problema de pesquisa), seguido do nome do candidato, e o do possível orientador. A capa deverá vir assinada pelo candidato.

ASPECTOS DE CONTEÚDO

Resumo
Informações essenciais para o leitor entender os aspectos mais importantes do trabalho (extensão máxima: 250 palavras).

Introdução (recomenda-se quatro páginas)
Revisão histórica do tema: Implicações sociais do estudo; aplicabilidade prática; benefícios para populações, etc. Pode-se entender esta parte como sendo o item ¿justificativa¿ para a pesquisa.
Revisão científica do tema: atualidade e pertinência; estudos direta ou indiretamente relacionados, revisão atualizada e abrangente de projetos de pesquisa na área.
Apresentação do problema de pesquisa e dos seus objetivos.

Método (recomenda-se quatro páginas)
Esclarece o que se pretende fazer no projeto.
Participantes: quem fornecerá os dados
Ambiente ou local onde a pesquisa será realizada
Materiais e equipamentos
Procedimentos
- Descrever de maneira mais explícita e objetiva possível os tipos de dados a serem obtidos e como serão coletados.
- Descrever o delineamento experimental, se for o caso (participante como seu próprio controle; tratamentos estatísticos).
- Mencionar cuidados para garantir confiabilidade dos dados.
- Mencionar resumidamente como se antecipa a análise e tratamento dos dados.

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

American Psychological Association (1994). Publication Manual of the American Psychological Association (Fifth Edition). Washington, D.C.: American Psychological Association.

Hübner, M.M. (1998). Guia para elaboração de monografias e projetos de dissertação de mestrado e doutorado. São Paulo: Editora Pioneira e Editora Mackenzie.

Moura, M.L.S., Ferreira, M.C., & Paine, P.A. (1998). Manual de elaboração de projetos de pesquisa. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Manual de Publicação da American Psychological Association (2001). Porto Alegre: Artmed (4ª edição).

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.: Publicado em TextosDigitais às 12:56


Segunda-feira, Dezembro 23, 2002

IG e o sumidouro de tráfego

Se você acessa o IG nas últimos dias deve ter percebido que a propaganda do discador, que antes sobre o serviço de suporte telefônico pago mudou e agora é do IG3 (Banda larga, acesso pago). Será que isso é reflexo do 'Sumidouro de Tráfego' da Telesp em relação à Telemar.

Ok, se você está por fora, aqui vão alguns textos sobre o assunto, que envolve ANATEL, TELEFONICA, TELEMAR e outros 'payers' do mercado corporativo de telefonia (ehheheh 'players'? ... isso mesmo aquela linguagem corporativa mala que os executivos insistem em falar).

Os textos, retirados da Folha de S. Paulo, são os seguintes:
- Empresas contestam acordo iG-Telemar
- iG não comenta contrato nem modelo de negócio
- Conta do acesso gratuito "não fecha", diz provedor

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.: Publicado em TextosDigitais às 23:05


iG não comenta contrato nem modelo de negócio

O iG informou que não daria declarações sobre seu contrato com a Telemar, nem sobre seu modelo de negócios. A declaração do presidente da empresa, Matinas Suzuki Jr., foi repassada à Folha pela Máquina de Notícias, que dá assessoria de imprensa ao iG.
Em recente editorial veiculado pelo portal, Suzuki Jr. defendeu a preservação do acesso gratuito à internet. Disse que ele propiciou avanços na inclusão digital e que é usado por 53% dos internautas brasileiros.

Segundo o executivo, ONGs (organizações não-governamentais), escolas, hospitais, serviços públicos e pequenas e médias empresas fazem uso do acesso gratuito, o que, na avaliação dele, propicia a democratização da internet.
O editorial critica a proposta do novo regulamento do uso das redes de telecomunicações para o acesso à internet, que foi colocado em discussão pública pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

A consulta pública está em curso e, segundo a agência, há divergências de opinião em relação à remuneração do tráfego telefônico gerado pela internet.
A regulamentação atual trata o tráfego da internet da mesma forma que o tráfego de voz. As teles querem que tenha tratamento diferenciado e que não entre no cálculo de remuneração de uso das redes. A mudança inviabilizaria a divisão de receita entre teles e provedores de acesso gratuito.

Para Suzuki Jr. a consulta pública da Anatel está "na contramão da história" e coloca o Brasil "na zona de risco de um retrocesso na inclusão digital".
O editorial diz que o texto que está em consulta pública, da forma como está redigido, dá margem para estancar o crescimento da internet grátis no país.
Suzuki Jr. referiu-se à mudança na regulamentação como "uma virada de mesa que ameaça acabar com o provimento de acesso gratuito" que, na visão dele, irá comprometer o futuro do país.

Fonte: São Paulo, domingo, 22 de dezembro de 2002 - DINHEIRO

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.: Publicado em TextosDigitais às 23:03


Associação que representa 1.219 provedores vai ao Cade contra transferência de recursos da tele ao concorrente gratuito
Empresas contestam acordo iG-Telemar

A Abranet (Associação Brasileira de Provedores de Acesso à Internet), que representa 1.219 empresas no país, entrou com ações no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e na Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) contestando o contrato que autoriza a transferência de recursos da concessionária de telefonia fixa Telemar para o provedor de acesso gratuito iG (Internet Group do Brasil).

A Telemar é uma companhia de capital aberto, com 80% de suas ações em poder de acionistas minoritários, privatizada pelo governo federal em 1998 e cuja área original de concessão abrange 16 Estados nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste.
O iG Brasil pertence a uma empresa com sede nas ilhas Cayman, de nome iG Cayman. Parte dos sócios controladores da Telemar, como banco Opportunity, GP Investimentos, Andrade Gutierrez Telecomunicações e grupo La Fonte, é também acionista do iG Cayman.
O contrato entre a Telemar e o iG não é público. Sabe-se que ele foi assinado em março do ano passado, quando o iG, a exemplo dos demais provedores de internet no Brasil, enfrentava grave crise financeira.

Dez dos 11 provedores de acesso gratuito surgidos entre o final de 1999 e o início de 2000 fecharam as portas, com pesados prejuízos. O próprio iG, segundo a Abranet, teria apresentado prejuízo de US$ 70 milhões em 2000.
Dois meses depois de assinar o contrato com a Telemar o provedor anunciou que havia alcançado o equilíbrio financeiro e mudou para azul a cor de seu logotipo, para sinalizar que havia saído do vermelho (sua cor original).

O contrato é objeto de intensa polêmica no mercado de internet. Há 12 dias, a Seae (Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda) recomendou que a Telemar estenda aos demais provedores as condições vantajosas dadas ao iG.
E que condições são essas? Além de fornecer de graça as "portas" de conexão à internet (a Telemar cobra dos demais provedores R$ 100 por mês por porta IP), a Telemar comprou o Database do iG -o que deu uma injeção de dinheiro inicial à empresa- e se comprometeu a dividir a receita telefônica que, no futuro, viesse a ser gerada pelas ligações dos clientes do iG.

Contrapartida
Em contrapartida, todas as chamadas para o iG nessas regiões teriam de passar pela rede da Telemar. No contrato, a empresa justifica a divisão da receita dizendo que o acordo lhe daria a oportunidade de capturar tráfego telefônico nas áreas em que ela não está presente. A pergunta que fica é por que a Telemar somente ofereceu essas vantagens ao iG se a troca, em tese, é vantajosa.
Pelo contrato, a Telemar repassaria ao iG 48,6% dessa receita em 2002, começando em março. O percentual diminuiria para 40,5% em 2003 e para 32,4% em 2004 e em 2005. A empresa de consultoria Diamond Cluster, que assessorou a Telemar, estimou que o iG receberia R$ 222 milhões nos quatro anos.
O iG é o primeiro -e, até onde se sabe, o único- provedor de internet do Brasil a receber "portas" de acesso de graça e repasse em dinheiro da Telemar. Os outros provedores pagam pelas "portas" de acesso (monopólio das teles) e procuram fazer frente a seus custos através de assinaturas (80% da receita total), publicidade virtual e comércio eletrônico (20% da receita).

Apesar da melhora de resultados dos grandes provedores de acesso pago -como UOL (Universo Online, que tem entre seus acionistas o Grupo Folha), Terra e AOL (America Online)- nos últimos dois anos, eles continuam com prejuízo nos balanços.
O acordo entre a Telemar e o iG levou outras empresas de telefonia a criar provedores de acesso gratuito à internet. Dessa vez, porém, eles ressurgem como mecanismo para captura de tráfego entre as telefônicas, numa guerra que, para especialistas, pode canibalizar o mercado de internet.
A Brasil Telecom (concessionária de telefonia fixa nas regiões Sul e Centro-Oeste) lançou o provedor gratuito iBest, enquanto sua concorrente naquelas regiões, a GVT, lançou o Pop. A Telefônica acaba de lançar o i-Telefônica no interior de São Paulo.

O clima entre as teles esquentou quando três das quatro grandes concessionárias de telefonia fixa -Telemar, Telefônica e Embratel- obtiveram o certificado de antecipação do cumprimento de metas da Anatel, o que lhes deu o direito de disputar os mercados de telefonia fixa local e de interurbanos fora de suas áreas originais de concessão.
A Telefônica foi autorizada a expandir seus mercados em fevereiro, e a Telemar obteve a certificação no início de agosto. A Brasil Telecom optou por não antecipar o cumprimento das metas, mas entrou na guerra dos provedores gratuitos, com o iBest.
Foi nesse cenário que o contrato entre a Telemar e o iG voltou à berlinda. O acordo provocou reações em dois segmentos: entre as teles e entre os provedores de acesso pago à internet, que não recebem "portas" de graça nem receita das companhias telefônicas pelo tráfego que geram.
Em agosto, a Abranet entrou com ação no Cade pedindo a suspensão, por medida preventiva, de parte das cláusulas do contrato entre o iG e a Telemar. Mais especificamente, daquelas que permitem a transferência de receita.

A ação se baseia em um parecer da empresa Tendências Consultoria Integrada, que examinou dados públicos do contrato e suas consequências sobre as condições de competição no mercado de internet. Entre os autores do estudo está o ex-presidente do Cade Gesner de Oliveira.
Na representação que fez ao Cade, a Abranet sustenta que o iG começou a receber ajuda financeira da Telemar já em 2001, logo após a assinatura do contrato. Ela estaria bancando todos os custos de infra-estrutura de telecomunicação ("portas" de acesso) necessária para que os clientes se conectem ao provedor.

Custo zero
Tais custos, segundo a consultoria Tendências, representam, em média, metade das despesas dos provedores de acesso à internet. Para atender a 1,4 milhão de internautas, um provedor gasta, em média, R$ 144 milhões por ano em infra-estrutura de telecomunicações. A Telemar estaria oferecendo essa infra-estrutura ao iG a custo zero dentro de sua área de concessão e cobrindo as despesas do provedor nos demais Estados.

A ação diz que a atitude da Telemar configura discriminação de preços contra os demais provedores de acesso em relação a um insumo essencial à atividade do setor. "Essa condição permite ao iG fornecer serviços com qualidade semelhante à dos demais provedores, praticando preços predatórios (zero)", diz a Abranet.
Para a associação, se essa prática valer para os provedores gratuitos ligados às teles, eles destruirão os demais provedores do país, que não contam com tal suporte financeiro. Ela diz ainda que 80% da receita dos provedores de acesso pago provém da assinatura. Os outros 20% vêm da publicidade virtual e do comércio eletrônico.
Segundo a Abranet, o faturamento do mercado de publicidade virtual e de comércio eletrônico no ano passado foi de apenas R$ 244 milhões, dos quais 51,8% estão com os três maiores provedores pagos: UOL, AOL e Terra.

Autora: ELVIRA LOBATO
Fonte: São Paulo, domingo, 22 de dezembro de 2002 - DINHEIRO

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Conta do acesso gratuito "não fecha", diz provedor

Os três maiores provedores de acesso pago à internet no Brasil -UOL, AOL e Terra- dizem que o acesso gratuito é insustentável como modelo de negócio.
"A conta não fecha. Não há como cobrir os custos só com publicidade e comércio eletrônico", afirma o diretor-geral do Terra, Fernando Madeira.
A avaliação é confirmada pela empresa de consultoria Tendências, que analisou o impacto do contrato entre o iG e a Telemar sobre a concorrência no mercado de internet.
Segundo o estudo da consultoria, a cobrança de assinaturas (da qual os provedores gratuitos abrem mão) representa de 70% a 80% da receita total dos provedores de acesso pago. A publicidade e o comércio eletrônico representam apenas 30% devido à penetração ainda reduzida da internet no Brasil.
Madeira diz que o Terra entrou na primeira onda do acesso gratuito, em 2000, apenas como estratégia de proteção de seu mercado.
"Sempre olhamos com desconfiança a forma como os provedores de acesso gratuito conseguiam sobreviver. Parece claro agora que eles têm participação na receita das companhias telefônicas", afirma Madeira.
O executivo afirma que os assinantes de acesso pago ficam, em média, 40 minutos por dia conectados à internet, tempo distribuído entre o horário comercial e o noturno.
Os usuários do acesso gratuito ficam menos tempo conectados e concentram o uso na madrugada e finais de semana, quando a tarifa telefônica é reduzida.

Mais receita
Segundo o diretor-geral do Terra, os provedores de acesso pago geram mais receita para as empresas de telefonia do que os provedores de acesso gratuito. "Se eles são remunerados pelo tráfego, nós também temos direito", diz Madeira.
O vice-presidente da America Online Brasil, Milton Camargo, concorda com Madeira: "Se existe para um, tem de existir para todos. É o princípio da isonomia", afirma.
Ele diz que a AOL não acredita no modelo de acesso gratuito, mas convive com esse tipo de concorrente e não acha que ele tomará o mercado dos provedores de acesso pago, que oferecem serviços que os gratuitos não têm.
"Vimos muitos provedores de acesso gratuito nascerem e morrerem. A AOL vai continuar, porque tem um modelo de negócio sustentável e compromisso com o assinante", declarou.

Saco sem fundo
Claus Vieira, diretor-geral do UOL, lembra que a empresa também aderiu à onda dos provedores de acesso gratuito em 2000, quando lançou o Net Gratuita. "O acesso gratuito gera tráfego telefônico e audiência na rede, mas a receita do negócio não paga o acesso. É um saco sem fundo para perder dinheiro", diz ele.
Na avaliação de Vieira, se o tráfego para a internet for excluído da tarifa de interconexão das companhias telefônicas -conforme sugere a proposta de regulamento colocada em consulta pública pela Anatel-, o acesso gratuito à internet vai desaparecer, e todos os provedores terão de trabalhar com as condições reais do mercado.
Ele discorda de que o acesso gratuito seja a receita para a democratização da internet. A principal barreira para inclusão digital, diz, é o custo do computador.

Abranet
O presidente da Abranet (Associação Brasileira dos Provedores de Acesso, Serviços e Informações de Rede Internet), Roque Abdo diz que o parecer da Seae (Secretaria de Acompanhamento Econômico) recomendando que a Telemar estenda as vantagens dadas ao iG aos demais provedores foi importante porque confirmou a falta de isonomia de tratamento.
Mas, segundo ele, a associação quer mercado competitivo, sem transferência de recursos por parte das teles para nenhum provedor. Segundo ele, mesmo se a Telemar propusesse remuneração aos demais provedores, não haveria clareza se as condições seriam iguais às obtidas pelo iG. "Existem benefícios cruzados de difícil identificação", diz.

Fonte: São Paulo, domingo, 22 de dezembro de 2002 - DINHEIRO

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Sábado, Dezembro 14, 2002

A Disney Admite...

Mulher nua está em 'Bernardo e Bianca': Disney admite ter encontrado mensagem subliminar e recolhe 3,4 milhões de fitas de vídeos nos Estados Unidos" Pela primeira vez na história da companhia, a Disney admitiu ter encontrado imagens subliminares num de seus filmes de animação. A foto de uma mulher com os seios de fora aparece em 2 quadros de 'Bernardo e Bianca' ( 'The Rescuers'), de 1977, a história de 2 ratinhos que ajudam uma menina a se livrar de seqüestradores. No último dia 8, a Disney soltou um comunicado oficial afirmando que os vídeos do filme, relançados no mercado americano em 5 de janeiro, contém 'imagens de fundo objetáveis'. Cerca de 3,4 milhões de fitas já foram recolhidas nos EUA em decorrência do achado.

A cena acontece aos 28 minutos do filme e é imperceptível a velocidade normal. Os dois ratinhos usam um albatroz velho como avião. Ele perde altura e passa em frente a vários prédios. Numa das janelas estão as fotos. Só é possível detectar a imagem em velocidade menor do que 30 quadros por segundo. Mesmo assim, a Disney recolheu as fitas para 'manter nossa promessa às famílias de que elas podem confiar que a marca prove o melhor em entretenimento familiar'. Outros rumores envolvendo imagens subliminares atingem 'O Rei Leão': a formação de nuvens de poeira formaria a palavra sexo. (Patrícia Decia)
Fonte: Folha de S.PAULO-15/jan/99.
http://www.mensagemsubliminar.com.br/

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Bush é acusado de fazer propaganda subliminar

À primeira vista, o anúncio de TV da campanha do Partido Republicano à presidência sobre prescrição de remédios parece uma propaganda negativa comum. O narrador começa elogiando a proposta do candidato do partido, George W. Bush, e criticando o plano de Al Gore, candidato do Partido Democrata. Fragmentos da frase "burocratas decidem" - ridicularizando a proposta de Gore - começam então a dançar na tela. Mas então, observando com atenção, é possível ver outra coisa. A palavra "rats" (ratos), fragmento da palavra "bureaucrats" (burocratas) aparece rapidamente em um quadro. E embora a imagem dure apenas 1/30 de segundo, a palavra aparece em grandes letras brancas, maiores que qualquer outra no anúncio.Alex Castellanos, que produziu o anúncio de 30 segundos, afirma que o uso da palavra foi "acidental". "Não jogamos desta forma. Não sou tão esperto", diz. Mas vários publicitários republicanos e democratas, assim como acadêmicos independentes, disseram que o fato indica uma tentativa subliminar dos republicanos para desacreditar Gore.

Após ser avisado sobre a palavra, o consultor-chefe de mídia de Bush, Mark McKinnon, disse que o anúncio deveria ser corrigido porque ele "certamente pode dar aos repórteres ou a qualquer outro razão para chamar a atenção". Mas, após rever o anúncio, ele mudou seus comentários. "Ratos não é uma mensagem", disse. "Plano ruim ou aposentados perdem poderiam ser. Mas ratos? Acabei de ver o anúncio cinco vezes seguidas. Por mais que observasse, não pude ver ratos." Quase todos os profissionais de propaganda entrevistados disseram que, pela forma como os vídeos são montados quadro a quadro, seria virtualmente impossível que os produtores não soubessem que a palavra estava aparecendo. "Não existe a possibilidade de que Alex Castellanos tenha feito alguma coisa por acidente", disse Greg Stevens, um veterano publicitário republicano. Ray Strother, presidente da Associação Americana de Consultores Políticos e um antigo publicitário democrata, disse: "Quando você está em uma campanha presidencial, você deve ficar muito, muito atento a todos os quadros de sua propaganda. Você fica observando até as palavras que aparecem no boné de beisebol que as pessoas estão usando". Bobby Baker, chefe do escritório de programação política na Comissão Federal de Comunicações, disse que, se a palavra foi inserida deliberadamente, refletiria um "comportamento inconsequente". Ele diz que a comissão não veta propaganda subliminar, mas afirma que "há recomendações indicando que ela é inerentemente enganosa e contrária ao interesse público". O partido gastou cerca de US$ 2,5 milhões (cerca de R$ 4,6 milhões) no anúncio, que ainda está sendo veiculado em 33 Estados. Ao todo, o anúncio foi ao ar cerca de 4.000 vezes.

(publicado na Folha de São Paulo e no New York Times)
Fonte: www.mensagemsubliminar.com.br

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.: Publicado em TextosDigitais às 00:54


O SUBLIMINAR NA TV
A televisão é "o principal fator de retardamento intelectual e afetivo" do mundo contemporâneo'
André Lwoff - Prêmio Nobel de Medicina

Origem

A primeira experiência oficial com mensagem subliminar, ou seja, com estímulos que não se percebem conscientemente, na televisão foi realizado em 1974. Sam McLoud, da Telecast, fez 4 inserções da frase 'GET IT' num filme publicitário do jogo "Kusker Du". O comercial , que foi veiculado antes do Natal, com a mensagem 'escondida' - compre-o, projetada numa fração de segundos e repetida 4 vezes dentro do anuncio, foi o responsável pelo aumento inesperado e considerável das vendas do brinquedo. McLoud, defendeu-se alegando que o governo americano não teria definido o que era subliminar, e que, a proibição teria sido arbitrária e sem critérios.

O Merchandising

De lá para cá, grande foi o avanço da utilização das mensagens subliminares na TV, geralmente sob o nome de 'merchandising'. Convencionou-se chamar de 'merchandising' toda vez que um produto ou idéia aparece na TV, cinema, teatro, revistas e mídia em geral, em sua situação normal de consumo ou utilização, sem declaração ostensiva de seu nome, marca ou registro. A Rede Globo por exemplo, como não pode aumentar o numero de comerciais nos intervalos, faz com que seu faturamento com o 'merchandising' cresça a cada dia. (Jornal da Tarde-09/set/83). Você não acha isto lamentável ? "No meio publicitário, é considerada antiética e até proibida a propaganda subliminar... mas há formas sutis de propaganda subliminar, que podem vender de tudo - idéias, conceitos, ideologias, desejos - sem que nenhuma lei possa impedir". (Jornal A Tribuna, de Santos-12/jul/89). Fica mais fácil entender agora porque foi considerável o aumento do consumo de cachaça no Brasil, principalmente 'Saramandaia' depois que a novela foi ao ar, ou o aumento de casos de meninas e adolescentes grávidas depois que Xuxa admitiu realizar seu grande sonho de ser mãe (sem necessidade de casar-se para isso). São muitos os casos de inserção de mensagens na TV, citaremos alguns mais conhecidos:Toalhas Artex, onde o ator aparecia saindo do banho utilizando a toalha, o batom Boca-loca da novela 'Ti-ti-ti', calcinhas Hope da novela 'Roque Santeiro, etc. Você ainda acredita em coincidência e Papai Noel ?
Fonte: www.mensagemsubliminar.com.br

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.: Publicado em TextosDigitais às 00:43


Caverna do Dragão
Um dos desenhos de maior sucesso da TV brasileira. O desenho na verdade nasceu de um jogo de RPG, "Dungeons & Dragons".

O FINAL DE "CAVERNA DO DRAGÃO" [EXTRAÍDO DA REVISTA HERÓI 2000]
Mestre dos magos é o Demo A história é tão sinistra que é difícil não se surpreender. Segundo o boato, o dragão Tiamat seria na verdade um anjo, enviado para dizer que os garotos nunca conseguiriam retornar ao seu mundo... porque eles estavam mortos! Após um acidente fatal na montanha-russa, Hank e seus amigos morreram e foram destinados a permanecer para sempre no inferno. Lá eles estariam sendo vítimas das maldades do Demônio, que aparecia ora na forma de Vingador, ora na forma de Mestre dos Magos. Para auxiliar seu trabalho, o Coisa-ruim tinha a ajuda de Uni, que sempre impedia as crianças de retornar para a Terra. Esta trama macabra foi amplamente divulgada na Internet e tão bem contada que muita gente passou a tomá-la como sendo verdadeira. Para acabar com as dúvidas, a Herói 2000 conversou com dois roteiristas e o criador do desenho, que concordaram em uma coisa: é tudo papo furado! > Gary Gyrax, produtor e criador de Caverna do Dragão, é quem define: "Não há verdade alguma nisso. Nenhum episódio assim foi produzido. Tiamat não é um anjo e nem ajuda de maneira nenhuma". Já Mark Evanier, um dos roteiristas da série, é mais enfático: "Isto é completamente falso! Apesar de vários finais possíveis terem sido discutidos, nenhum último episódio foi realmente produzido". O escritor Michael Reaves, roteirista de oito episódios, completa: "Caverna do Dragão foi um desenho muito sombrio para sua época - tanto quanto é Gárgulas hoje. Nós o levamos o mais longe possível para um programa infantil". Apesar de Caverna ter sido um desenho à frente de seu tempo, Reaves diz que não haveria chance nenhuma de uma história deste tipo ter ido ao ar: "Os garotos não ficaram presos no inferno, nem o Mestre dos Magos é o demônio ou coisa parecida. Essa história toda é absurda", diz. Mas então, qual é a verdade afinal?

O Verdadeiro Final

Ao final do terceiro ano da série, a CBS decidiu colocar no ar um episódio que encerrasse a temporada. Michael Reaves escreveu aquele que pode ser considerado o verdadeiro último capítulo da série: Requiem. "Este episódio foi escrito de forma que tivesse um duplo sentido, ambíguo e triunfante: se o desenho não continuasse, o final seria satisfatório; se continuasse, o episódio serviria de trampolim para uma nova direção". Reaves finalizou o Script de Requiem em maio de 1985. Para sua surpresa (e a de todos), a série foi encerrada bruscamente e este roteiro acabou nunca saindo do papel. Gary Gyrax explica o fato: "Em 85, a equipe do desenho se reuniu com os executivos da Marvel e da CBS e foi decidido que a série continuaria na temporada seguinte. Os seis garotos - mais velhos e experientes - seriam chamados de volta ao mundo da Caverna do Dragão pelo Mestre dos Magos. Três scripts do desenho foram feitos e eu até aprovei um deles. Mas algumas dificuldades surgiram. A D&D Corp. fechou e a CBS junto com a Marvel decidiu não continuar mais com o desenho. A nova série acabou cancelada antes mesmo de ser produzida". Caso resolvido e encerrado. Só falta agora a Globo voltar a exibir Caverna do Dragão. Os fãs saudosos agradecem.

O Final que Ninguém Viu
Requiem pode ser considerado o verdadeiro final de Caverna do Dragão. Escrito há quase quinze anos, a história traz algumas revelações surpreendentes e um desfecho que certamente agradaria os fãs. "Eu gostaria que o episódio se chamasse Redemption (Redenção), mas a emissora achou que este nome dava muito na cara", diz Michael Reaves. Com a série cancelada, o roteiro nem chegou a virar desenho. O script pode ser lido na íntegra no site do escritor (http://www.mindspring.com/~michaelreaves/Requiem.htm) . Veja o resumo da história: O episódio inicia com os seis garotos enfrentando uma hidra. O Mestre dos Magos aparece durante a briga mas se recusa a ajudá-los, o que causa estranhamento geral. Mais tarde, o Vingador surge e apresenta uma maneira para a turma voltar ao seu mundo: encontrar uma chave escondida e arremessá-la em um abismo. A proposta faz o grupo se dividir em dois (Eric, Presto e Sheila de um lado e Hank, Bobby, Diana e Uni do outro). Após quase morrerem em um vulcão, eles se juntam novamente e encontram a tal chave dentro de um sarcófago com a imagem do Vingador. Ao serem atacados por uma ameba gigante, Eric usa a chave em uma fechadura e salva seus amigos da morte certa. Isso faz o Vingador se transformar em sua forma real (um cavaleiro) e se revela filho do Mestre dos Magos. Com o Vingador libertado, os garotos ganham a opção de voltar para seus lares. O episódio termina sem o espectador saber se eles retornaram ou não para a Terra, deixando aí o espaço para uma continuação na temporada seguinte.
Fonte: www.mensagemsubliminar.com.br

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Dragon Ball

Animação japonesa, com muita pancadaria e esquisitices, cuja temática são as Artes Marciais, já virou febre, não só entre as crianças, mas também entre os adolescentes.O desenho é o mais assistido atualmente da TV paga (Cartoon Network), com audiência média de 9 pontos (lembrando que cada ponto, equivale a 80 mil telespectadores). O desenho estreou no Japão (pra variar...) em 1986 e levou 10 anos para desenrolar-se em três fases: - Dragon Ball, Dragon Balll Z e Dragon Ball GT. O desenho, que também faz sucesso na TV aberta, em sua trama mirabolante, mistura alienígenas, dragões e uma dose de simbologia ocultista. O personagem principal é Goku, um garoto que sai pelo mundo em busca de 7 esferas de cristal que, quando juntas, invocam um dragão (Shen-lon) que satisfará seus desejos. A história tem também um Mestre (este não podia faltar) que o fará um grande lutador, de quebra, um demônio chamado Piccolo. A febre também atingiu as histórias em quadrinhos e, 130 mil revistas já são vendidas mensalmente, sem falar, é claro, dos games, brinquedos e outras quinquilharias com o personagem. Pode-se observar também, a inserção subliminar do número 666, também conhecido como 'número da besta', na porta do carro do personagem Mr. Satã. (Revista Veja-18/07/01)

Digimon

Animação japonesa que segue os mesmos moldes de todas anteriores. Não faltam seres sinistros encapuzados, monstros, e um enredo que envolve os pequenos pelas sequências das cenas, das cores utilizadas e a trama, sempre envolvente. Analisamos um episódio de Digimon e, numa cena quase que imperceptível, quando pausada em "slow motion" verificamos a presença de uma simbologia bastante complexa, numa antiga mesa de pedra. Nela havia várias inscrições entalhadas de Pentagramas (o signo mais antigo do satanismo) e, do lado direito, um esquado entrecortado por um compasso, ícones maiores da maçonaria. Depois de fazermos inúmeros testes com públicos de diferentes idades em nossas palestras, ficou comprovada a eficiência desta inserção subliminar.

Pokémon

Criados pelo japonês Satoshi Tajiri, que,quando pequeno, além de criar insetos, tinha uma fixação:ser entomologista. Com seus sonhos frustrados devido à ocupação imobiliária de seu país, no final da década de 70 com a construção de grandes shoppings nas áreas de agricultura do arroz, Tajiri, criou os Pokémons na forma de lagartas, traças e caranguejos, espalhados por bosques e rios virtuais. Com a ajuda de um amigo, Pockémon virou um game em 1996, quando o projeto foi comprado pela Nintendo.(Revista Época-27/12/99). Dado o sucesso do jogo, logo se transformou em Desenho Animado e, em seguida, filme, ou melhor "O Filme" que, até o início de dezembro de 99, ou seja, com poucos meses de lançamento, já havia arrecadado US$ 80 milhões.
Fonte: www.mensagemsubliminar.com.br

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Acidentes e Crimes influenciados pelos filmes/vídeos

Na tarde do dia 16/dez/97, quase 12 mil crianças japonesas foram afetadas pelas cenas de Pokémon, desenho animado que nasceu de um mini-game, virou desenho animado e depois filme no cinema. Do total das pessoas afetadas pelo desenho Pokémon, que é uma junção das abreviatura de Pocket (bolso) e Mon (monster=monstro), 700 precisaram ser internadas em hospitais locais no Japão. Elas foram vítimas de ataques de um caso raro de epilepsia, chamado de Epilepsia Fotossensível provocados pela explosão de flashes coloridos, em golpes luminosos desferidos contra Pikachu e seus colegas. O bombardeio de luzes teria provocado esta espécie de ataque epilético. Este fato fez com que Pokémon fosse tirado do ar durante quatro meses. (Revista Época-27/12/99)

Ainda sobre os 'Pokémon': Quatro alunos de segundo grau foram presos na Filadélfia, por atacar outros estudantes a fim de furtar cartões com exemplares de Pokémon. Um estudante de 14 anos, foi esfaqueado em Quebec, no Canadá, em uma briga também pelos cartões. Na Carolina do Sul, um menino foi acusado de quebrar uma vitrine para roubar cartões no valor de 250 dólares. (Revista Educação). Este desenho foi banido da TV na Turquia. O governo tomou esta medida depois que duas crianças morreram depois de se jogarem da varanda dos apartamentos onde moravam. Elas teriam feito isso influenciadas pelos superpoderes dos personagens dos desenhos.
Fonte: www.mensagemsubliminar.com.br

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Sexta-feira, Dezembro 06, 2002

AUTÓPSIA NA TV - O fantástico show da morte
Autor: Antônio Brasil (*)

Arte, educação ou puro sensacionalismo? Confesso que ainda não sei. Fui pego meio de surpresa. Sinceramente, achava que já havia visto tudo na TV. Primeiro, pensei que era alguma comédia de humor negro, meio de mau gosto, tão típica da TV inglesa. Alguma mistura de Monty Python com Casseta e Planeta. Mas estava sendo transmitido pelo Channel 4, um canal cult da TV inglesa, na quarta-feira (20/11), horário nobre, após as 19h. O programa era ao vivo, produzido num estúdio meio improvisado com cenário simples, luzes fortes e diversas câmeras circulando freneticamente, buscando sempre os melhores detalhes.

Na platéia, cerca de 400 pessoas estavam sentadas numa arquibancada e ouviam atentamente um médico com forte sotaque alemão que tornava a cena inevitavelmente cômica. Ele vestia um imaculado guarda-pó e estava cercado por vários assistentes, pronto para a ação. O médico se movimentava com desenvoltura pelo palco e anunciava que dentro de alguns instantes todos testemunhariam um momento histórico na TV mundial. Para aumentar ainda mais o drama, insistia em dizer várias vezes, num tom meio preocupado, que a Inglaterra era um país democrático e que ele não seria preso (sic). Fiquei ainda mais surpreso e curioso. Pausa para os comerciais.

O programa volta ao ar. No fundo do palco, meio indiferente a tudo, a estrela do espetáculo. Deitado numa mesa de metal, meio coberto por um lençol, o corpo muito pálido de um velho alemão de 72 anos. Anônimo, solitário e abandonado pela família, ele teria morrido pouco antes. Não sem autorizar por escrito o polêmico Dr. Gunther Von Hagens a realizar a primeira autópsia pública transmitida ao vivo pela TV. Como quase todos os mortais, o velho alemão teria decidido ainda em vida se tornar uma estrela da TV, nem que fosse depois de morto. Os mistérios da TV. E eu mal sabia que estava prestes a assistir a um dos mais polêmicos programas já produzidos pela TV britânica. Luzes, câmeras, autópsia na TV: o fantástico show da morte!

Vale-tudo

Continuava não acreditando. Só poderia ser alguma brincadeira. Ninguém permitiria uma coisa dessas, nem mesmo num país tão "estranho" como a Inglaterra. Mas, de repente, o médico começa a retalhar cuidadosamente o corpo do velho alemão. Haja estômago! As pessoas na platéia, apesar de terem disputado avidamente os ingressos e pago uma grana para participar do programa, escondem os olhos e fazem caretas. Outros simplesmente... adoram. O mestre de cerimônias, o Dr. Hagens, começa a retirar diversos órgãos internos do morto como um mágico costuma tirar coelhos de uma cartola. Mas não era nenhum Circo do Carequinha da velha TV Tupi ou qualquer coisa parecida. A TV, sem dúvida, mudou muito!

Continuava não acreditando. Qual seria a próxima surpresa daquele espetáculo macabro na TV? Dr. Hagens e seu convidado, o morto, reinavam absolutos no palco. Tenho que reconhecer que o médico alemão é um verdadeiro showman! Faria o maior sucesso na TV brasileira. As câmeras ágeis mostravam tudo em detalhes a uma platéia cada vez mais curiosa e atenta. "Senhoras e senhores, aqui está o coração do morto." Aplausos! Com um bisturi em close up, fazia incisões e explicava que aquele pobre homem provavelmente teria sido um alcoólatra e fumava muito. A platéia em tom de exclamação reage: "Oh!!!" Seu coração estava claramente dilatado pelo esforço extra para sobreviver e não teria resistido a tantos anos de excessos. Vejam! Mais aplausos. Muito instrutivo. Afinal, TV também é informação e educação. Insistia na importância daquela autópsia para entendermos melhor como funciona o nosso corpo e para evitarmos o medo da morte.

"Temos que desmistificar a prática e a profissão médica. Todos têm o direito de saber como vivemos e como morremos", prosseguia o médico alemão em tom messiânico. Cada vez mais surpreso, apesar das cenas macabras eu não ousava desligar ou mudar de canal. Sensacionalismo? Pode ser. Mas tudo parecia ao mesmo tempo sério e surreal. Não podia ser verdade!

No dia seguinte, a confirmação. Os jornais ingleses destacavam nas primeiras páginas: "Show da Morte. Autópsia pública ao vivo pela TV". Apesar das leis inglesas proibirem autópsias públicas desde 1830, os advogados do Dr. Von Hagens teriam conseguido encontrar uma alternativa legal. Nem mesmo a presença de policiais na platéia intimidou os produtores do programa. A autópsia do morto, ao vivo pela TV, foi um sucesso. O Channel 4, canal privado comercial voltado para temas artísticos, educacionais e muitas vezes polêmicos tinha obtido audiência recorde para o horário: 1,4 milhão de pessoas assistiram ao programa. Ponto para a nova TV vale-tudo.

E se a moda pega?

Como sempre, nem todos gostaram do que viram. Muitos reclamaram mas outros até pediram reprise. Em todo lugar há gente que adora ver filmes e programas de TV com muita desgraça, como o Cidade de Deus ou o Ratinho. E depois reclama.

A controvérsia estava estabelecida. Do jeito que a TV gosta. Muitos telespectadores escreveram dizendo que se sentiram enojados com as imagens da autópsia, apesar dos muitos avisos transmitidos pelo Channel 4 durante toda a programação. Pelo jeito, os executivos da emissora alcançaram seus objetivos. Muita gente não resistiu à curiosidade de ver a autópsia ao vivo e o programa teve repercussão internacional. Muitos telespectadores consideraram o programa um desrespeito com o morto e com o público. TV não respeita nada mesmo, mas todo mundo assiste. Pelo menos para poder falar mal. E como falaram! O assunto se tornou tema recorrente na imprensa e nas conversas dos britânicos. O programa ultrapassou as fronteiras e foi matéria no New York Times. Muito sucesso e obviamente muito dinheiro.

Outros telespectadores, em apoio ao Dr. Hagens, diziam que ele contribuía para quebrar mais um velho preconceito. Declaravam que é preciso encarar a morte de forma mais natural. A TV, com programas como o do Dr. Von Hagens, estaria prestando uma grande contribuição para o conhecimento do nosso próprio corpo. Muitos médicos não concordam com seu modus operandi. Mas também acreditam que é necessário abrir a discussão de forma menos hipócrita sobre um dos nossos últimos tabus: a morte.

Também não é a primeira vez que o médico alemão se envolve numa polêmica. Sua exibição de obras de arte feitas com cadáveres verdadeiros em posições estranhas e inusitadas é enorme sucesso de público e de crítica numa galeria de arte no East End, em Londres.

Pelo jeito, após o enorme sucesso da onda de reality shows, a televisão avança sobre seus próprios limites e consegue novamente se superar. Continuo em dúvida sobre os propósitos de programas desse gênero. Sensacionalismo, informação ou educação? Ainda estou muito chocado para ter alguma certeza. O patologista alemão declara que a autopsia pela TV foi tratada de uma forma "educativa e equilibrada". O sensacionalismo parece ter ficado por conta da imprensa. O publico não poderia ter se comportado melhor. Todos com muito respeito, apesar de um pequeno deslize: um dos câmeras teria limpado sua lente com o lençol que cobria o cadáver. Um horror, segundo alguns críticos.

De minha parte, continuo mais interessado nos mistérios da TV do que nos mistérios da morte. Mas também confesso que estou cada vez mais preocupado com as próximas "surpresas" que uma TV aberta sempre em busca de audiência a qualquer custo certamente ainda nos reserva. E se a moda pega no Brasil? Melhor nem pensar.

(*) Jornalista, coordenador do Laboratório de TV, professor de Telejornalismo da Uerj e doutorando em Ciência da Informação pelo convênio IBICT/UFRJ
Fonte: Observatório da imprensa

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Jornalistas sugerem suas dicas para escrever bem e ser um bom jornalista
AUTOR: Leão Serva, Editor do Último Segundo

Como escrever bem?
No último dia 16 de maio, o jornalista John Hatcher publicou no site do Poynter Institute um artigo com 23 conselhos para jovens redatores sobre como melhorar os seus textos. O texto destaca o que o autor considera "a melhor de todas as dicas para jornalistas" melhorarem seus textos.

O Último Segundo procurou jornalistas brasileiros para pedir a eles uma ajuda complementar: dicas para ser um bom jornalista. O conjunto das duas pode contribuir para a formação de bons redatores.

Diretor do Centro de Jornalismo Comunitário (Center for Community Journalism) e colunista do jornal "Daily Messenger" (Nova York, EUA), Hatcher começou na Internet o processo de produção de suas dicas: ele colocou uma pergunta sobre as dicas em uma lista de discussão para jornalistas no próprio site do Poynter Institute. Recebeu várias dezenas de respostas.

A partir destes primeiros retornos (cerca de 50), o jornalista foi juntando as dicas que eram redundantes ou parecidas e acabou chegando a um universo de 23 sugestões úteis para jornalistas escreverem bons textos.

Depois o autor reuniu alguns jornalistas profissionais e os organizou em grupos, todos com pilhas de jornais ao lado. Cada grupo deveria testar dicas em textos de jornal escolhidos aleatoriamente. Ao final, os grupos votaram e escolheram "A Grande Dica": "Leia o primeiro parágrafo de um artigo. Agora pergunte, esta frase te incentiva a ler a próxima frase e o restante do texto?". O Último Segundo reproduziu também as outras dicas.

A matéria é um pouco longa, mas veja a lista completa no Leia Mais.

Hábito de leitura

O Poynter Institute é uma organização de ensino e pesquisa localizada na Flórida, Estados Unidos, responsável por alguns dos principais avanços do jornalismo nos últimos 20 anos. Uma pesquisa promovida pelo instituto sobre hábito de leitura de jornais impressos, em 1990, chamada "Eyetrack" (caminho do olho) alterou completamente toda a visão tradicional que se tinha sobre como os olhos do leitor consumiam o noticiário.

A pesquisa foi feita usando uma microcâmera de vídeo que seguia o movimento dos olhos do leitor para saber como ele se comportava. A conclusão foi que as primeiras coisas que atraem o olhar do leitor são fotos, onde quer que estejam na página, e não textos (numa página com duas fotos, a maior atrai mais).

Dez anos depois, a mesma metodologia de pesquisa foi usada para a Internet e derrubou de novo a visão então predominante (de que o leitor de jornalismo on-line também começava sua leitura pelas fotos): no computador, o leitor preferia os textos, concluiu a pesquisa do Poynter.

Pesquisas como essas duas tornaram o Poynter uma referência mundial.

O Último Segundo inspirou-se na experiência do jornalista norte-americano John Hatcher e decidiu pedir a jornalistas experientes os mandamentos que consideram fundamentais para melhorar o trabalho de jovens jornalistas.

O jornal recebeu 13 respostas. Entre os ouvidos, há jornalistas dos diários "Folha de S. Paulo", "O Estado de S. Paulo", "Diário de S.Paulo" e "Correio Braziliense", escritores, profissionais de rádio e revista, um diretor de escola de jornalismo, além de dois colunistas do iG.

Algumas contribuições contêm uma explicação sobre a origem ou razões para justificar a sugestão. Outras são de estilo "curto e grosso", como diz um dos autores.

O jornalismo não é uma ciência exata e como atividade mais ou menos recente empresta de outras atividades muitos dos procedimentos. Talvez por isso, várias das sugestões poderiam estar perfeitamente confortáveis em um manual de caça: como o caçador, o jornalista deve manter os olhos bem abertos, como sugeriu o jornalista e escritor Marcelo Coelho, colunista e membro do Conselho Editorial da "Folha de S. Paulo".

O repórter também deve ouvir mais do que fala, como menciona o escritor e repórter Cláudio Tognolli, da rádio Jovem Pan.

Já outra sugestão parece tirada de um livro de investigação: "Não acredite em tudo que ouve", diz o jornalista Alberto Helena Jr., colunista do iG e do "Diário de S. Paulo".

Duas outras dicas refletem uma idéia de imitação, que Aristóteles propunha para a arte já na Grécia Antiga: "Ler, ler, ler, ler", indica o analista político Ricardo Setti, ex-diretor da revista "Playboy", ressaltando a importância de textos clássicos para a formação dos autores menos experientes. Já o jornalista Luiz Egypto acrescenta um lado prático à idéia de Setti: "Ler muito e escrever sempre".

Já o jornalista Luís Edgar de Andrade, autor do recém-lançado "Bao Chi, Bao Chi", vai no caminho aparentemente oposto: "Não leia jornalistas em geral".

A condição mercurial do jornalista, como transmissor de informações, é ressaltada na sugestão de outro dos ouvidos pelo US: "Jornalista não precisa saber nada", diz Renato Pompeu. Por isso mesmo, o correspondente do iG em Israel, Nahum Sirotsky, propõe que o repórter deve "aprender o máximo do assunto antes de sair para a missão"

Para a transmissão eficiente de suas notícias, o jornalista tem de "escrever bem", como diz secamente outro dos entrevistados pelo US, o diretor de Redação do "Correio Braziliense", Ricardo Noblat.

E para escrever bem, o diretor de Redação de "O Estado de S. Paulo", Sandro Vaia, recomenda "contar histórias com começo, meio e fim".

Distante das questões formais ou de método de trabalho, o jornalista e escritor Alberto Dines, criador do site "Observatório da Imprensa" propõe uma plataforma de postura ética, preocupada com a capacidade do jornalismo para influenciar o mundo ao seu redor: "Antes de dormir, pergunte a você mesmo se naquele dia ajudou a humanidade a buscar a verdade".

Já o diretor da faculdade de Jornalismo Cásper Líbero, de São Paulo, Marco Antônio Araújo, propõe uma boutade à moda antropofágica: "A vida é curta: não seja crítico de cinema".

Já o escritor e colunista do iG Fernando Morais fala do esforço do repórter para conseguir suas informações: "Curve-se e rasteje, se necessário, para conseguir sua entrevista".

De todas as dicas, os jornalistas convidados por Hatcher escolheram uma como a principal é mais importante:

O grande teste para o lead: leia o lead de um artigo. Agora pergunte, esta frase te incentiva a ler a próxima frase e o restante do texto?"

Estas são as 23 dicas consideradas mais importantes para melhorar o texto jornalístico:

1) Um bom texto tem:
· informações precisas
· construção interessante de frases
· escolhas apropriadas das palavras
· passagens claras
· adjetivos e advérbios bem colocados
· estrutura nas orações de forma coerente (paralela) quanto ao tempo dos verbos e número
· seqüência correta de tempos verbais
· gramática correta
· pontuação e ortografia corretas

2) O grande teste para o lead
Leia o lead de um artigo. Agora pergunte, esta frase te incentiva a ler a próxima frase e o restante do texto?

3) Encontrando o enfoque
Todo texto aborda alguma coisa. Os melhores textos possuem um enfoque e um ponto. Tente essas perguntas: Quais são as novidades, as notícias? Qual é o assunto do texto? Qual informação me surpreendeu? O que me surpreenderá como leitor e espectador? O que meu leitor necessita saber?

4) Linguagem ativa
Todos falam que você deve escrever utilizando a "voz ativa". Alguém já te ensinou a fazer isso? Aqui vai uma sugestão: tente analisar um texto e sublinhe todos os "são", "é", "eram" e "foi". Só valem as formas do verbo "ser" que estiverem seguidas por um outro verbo no particípio, como "foi feito" ou "é realizado". Agora encontre um meio para reescrever a frase com um verbo mais forte. Dica: o verbo mais forte é o próprio verbo que está depois do verbo ser.

5) Edite seu próprio texto
É quase impossível editar seu próprio texto. Mas ao menos tente. Imprima uma cópia de seu artigo e inicie a leitura do final. Isto deveria te ajudar a examinar o texto com uma visão mais fresca. Encontrou qualquer erro ou frases esquisitas?

6) Destacando as áreas mais problemáticas
Analise um artigo e circule todos os períodos, utilizando um marcador de texto. Agora observe o padrão dos períodos - buscando pelas áreas em que você encontra as sentenças mais extensas. Veja se este recurso te ajuda a identificar frases que possam ser muito longas. Tipicamente, nas frases mais longas você encontra os erros gramaticais, preposições desnecessárias e outros empecilhos para o bom texto. Veja se o texto possui um bom equilíbrio entre as frases longas e curtas.

7) Mostre-me os detalhes
Mostre, não descreva apenas. (Porém, você deverá apresentar adequadamente os detalhes para ter sucesso nesta tarefa).

8) Encontrando a frase que descreve a idéia principal do texto
Sublinhe a frase que descreve a idéia principal do texto, coloque em negrito ou entre parênteses e retorne a esta frase para se certificar de que a história que você está escrevendo sustenta aquela idéia.

9) Atenção com as citações
Atenção com as aspas e citações. Certifique-se de que toda citação incluída vale a pena ser utilizada. Senão utilize paráfrases (cite as idéias sem ser literalmente).

10) Omita palavras desnecessárias
Atenção com as palavras de que você não necessita. Observe construções como "com o objetivo de" e semelhantes adicionam palavras sem idéias novas ou conteúdo.

11) Quanto vale o texto?
Você pagaria 50 centavos (0,90 euro ou o preço de seu jornal) amanhã por ESTE texto que está escrevendo?

12) Seus lábios estão se movendo?
Leia seu texto em voz alta. Você escutará frases estranhas e saberá se uma frase é muito longa ou difícil para ser lida.

13) Buscar e eliminar
Buscar e destruir. Isso significa que após o primeiro rascunho, faça uma busca no texto pelas palavras "fracas" (lá, isso, etc.) ou verbos "fracos" ou advérbios (procure os sufixos "mente") ou outras frases ou palavras que você tende a utilizar como uma "muleta", e altere-os para algo mais forte.

14) Vendo o lado positivo
Converter fatos negativos em positivos? Descubra uma maneira de dizer o que é, em vez do que não é? Dizendo o que é geralmente é mais curto, claro e mais direto. (É óbvio que algumas vezes você quer quebrar essa regra). Procure as palavras "não" e "não foi" (ou "não é") e veja se faz sentido reescrevê-las.
Exemplos:
"O filme não estava encantando e a maior parte das pessoas não ficou até o final".
Mude para: "O filme estava tedioso e as pessoas foram embora cedo".

15) Adjetivo: a criança com a faca de cozinha na mão
Aplique adjetivos com a mesma parcimônia com que você daria uma faca a uma criança. Os adjetivos geralmente implicam em julgamentos de valores subjetivos que sua história pode ou não passar (e que os leitores irão interpretar de sua própria maneira).

16) Sobre quem é a história?
Nunca suponha que a visão oficial é o forte da história. Quando eu dou aulas sobre escrita, um dos pontos que eu exijo que os repórteres considerem é de quem é a história. Um exemplo: o prefeito John Higgins irá se desculpar à mulher que ele expulsou de uma reunião pública para amenizar seu longo e caro processo contra ele, afirmou o escritório de advocacia da cidade.

Contada de outro ponto de vista: após dois anos de luta contra a prefeitura, Rita Moore está para conseguir o que queria, um pedido de desculpas formal do ex-prefeito John Higgins.

17) Leia!
Leia bons escritores. LEIA!

18) Resuma sua história em uma palavra
Associe um tema de uma só palavra à sua história - por exemplo, ambição, monopólio, confiança, fome, etc - para manter você concentrado no tema.

19) Detalhes, detalhes
Inclua no texto os detalhes que mostram que o repórter não prestou atenção somente no que foi dito mas também em como e onde foi dito.

20) A grande procura de um jargão
Leia um artigo e assinale todos os jargões, as palavras usadas por autoridades, policiais e jornalistas de esportes que podem não ter sentido algum para os leitores comuns. Olhe essas palavras e veja se consegue uma maneira de traduzi-las para o leitor.

21) Escreva em "tempo real"
Escreva enquanto você apura a notícia. Não espere até ter todas as informações reunidas para começar uma história. Não insista em escrever o lead primeiro. Algumas vezes o processo de escrita trará o melhor lead. Escreva sem anotações. A história deve estar em seu coração e na sua cabeça. Só olhe as anotações para checar os fatos.

22) Antes de escrever
Organize as anotações e informações, desenvolva um sistema bom para você. Você pode utilizar canetas de cores diferentes, estrelas, o que for. Escreva partes da história ou pontos importantes antes de começar a escrever para não esquecer elementos que você quer incluir.

23) Dê uma volta
A menos que você esteja quase na hora de entregar o texto, dê uma volta se estiver encalhado. Se isso não for possível, levante e ande um pouco enquanto trabalha, relaxe e deixe sua mente viajar com a história.


Conselhos dos brasileiros para ser um bom jornalista
Leão Serva, Editor do Último Segundo

1) Abra os olhos
É incrível como os fatos mais importantes, interessantes e inéditos estão ao alcance da vista de todos, e como só um bom jornalista é capaz de enxergá-los.
Marcelo Coelho, colunista e membro do Conselho Editorial da Folha de S. Paulo

2) Jamais acreditar piamente nas palavras ou informações de quem quer que seja.
Alberto Helena Jr., colunista do iG e do Diário de S. Paulo

3) Ouvir mais e falar menos.
Jornalista gosta de ser bem informado. E, sobretudo, mostrar isso aos outros. Mas isso pode se converter em ruído na comunicação. O Elio Gaspari uma vez me disse que o melhor repórter é o mais burro: porque pergunta mais e ouve mais que o jornalista falastrão. Falar muito impede a fluência e escoamento do monólogo. Uma vez o Carlos Maranhão disse que teria de perguntar para Bruna Lombardi, numa entrevista para "Playboy", quando e com quem ela perdera a virgindade. Ele refere que adotou a técnica do silêncio: mostrou-se tímido, acabrunhado. Fez com que ela se preocupasse com ele. E, nesse vão, Maranhão meteu a pergunta. Ela respondeu com alegria, descontraída, e com muitas informações. É a técnica do silêncio que dá espaço, gap, para o entrevistado se projetar no entrevistador. Uma vez fui entrevistar o meu ídolo, Andy Summers, ex-guitarrista do The Police. Ele me disse que foi estudar arte renascentista para compor. Isso porque os pintores do Renascimento carregavam nas cores dos corpos, mas nos rostos das figuras usavam cores pastel. Era para que o apreciador na pintura pudesse projetar o seu rosto da figura. Isso diz tudo: o entrevistador deve fazer com que o entrevistado se projete nele,se abra. O silêncio surge então como a cor-pastel da arte da entrevista. Nesse sentido, se o entrevistador se mostrar nervoso, cruzar braços, etc, faz com que o entrevistado não se projete. Há um ótimo livro de psicologia que trata disso, do argentino José Bleger, chamado Temas de Psicologia (Martins Fontes, São Paulo 2001) no capítulo chamado "A entrevista psicológica" (p. 3 a p. 48). Saber ficar calado é uma arte, de resto aquilo que os taoístas chamam de Wu-wei, ou não-ação.
Cláudio Tognolli, escritor e jornalista, repórter da rádio Jovem Pan

4) Escrever muito bem.
Ricardo Noblat, diretor de Redação do "Correio Braziliense"

5) Curve-se e rasteje, se necessário, para conseguir sua entrevista. Mostre-se disponível a qualquer hora e local. Carregue a mala do sujeito se preciso. Não tenha vergonha de nada. Minha dica é de terceira mão e não é de minha autoria, mas eu a incorporei como se fosse. Ela foi capturada pelo Ricardo Setti durante uma palestra dada anos atrás por John Brady (ex-editor do "Writer´s Digest" e ex-assistente do diretor editorial da Warner Bros. Records), intitulada "Dicas e técnicas para melhorar sua habilidade e tirar o máximo de seus entrevistados.
Fernando Morais, escritor e colunista do iG

6) Ler, ler, ler, ler, ler, ler - jornais, revistas, livros - ficção, muita ficção, e, claro, não-ficção também -, Internet, peças de publicidade, bulas de remédio, tudo, tudo, tudo.
Ricardo Setti, analista político e escritor, ex-diretor da revista "Playboy"

7) Aprender o máximo do assunto antes de sair para a missão. Só se entende o que se sabe, só se vê o que se conhece.
Nahum Sirotsky, correspondente do iG em Israel

8) Ler sempre e escrever muito; ou, se preferir, ler muito e escrever sempre.
Luiz Egypto, editor do site Observatório da Imprensa(www.observatoriodaimprensa.com.br)

9) Jornalista não precisa saber nada, só precisa saber quem sabe, seja uma fonte, seja uma documentação.
Renato Pompeu, jornalista e escritor, autor de "Quatro Olhos"

10) Não leia jornalistas em geral. Jornalista no Brasil não escreve para o leitor, escreve em jornalês só para jornalistas.
Luís Edgar de Andrade, autor de "Bao Chi, Bao Chi"

11) Você é pago para contar histórias com começo, meio e fim. Seja curioso à exaustão. Não tenha vergonha de perguntar. Caso contrário, mude de profissão.
Sandro Vaia, diretor de Redação de O Estado de S. Paulo

12) A vida é curta: não seja crítico de cinema.
Marco Antônio Araújo, diretor do curso de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero

13) Antes de dormir pergunte a você mesmo se naquele dia ajudou a humanidade a buscar a verdade, atenuar os ódios e melhorar as pessoas. O resto são técnicas.
Alberto Dines, criador do site Observatório da Imprensa e colunista do Jornal do Brasil

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A crônica como gênero do jornalismo e da literatura
Autor: CARLOS HEYTOR CONY

Alunos de curso de comunicação pedem-me uma definição do jornalismo literário e, em complemento, o papel da crônica nesse tipo de jornalismo. Embora não me considere a pessoa indicada para falar sobre o tema, tentarei dar uma resposta coletiva ao que me pedem, com as naturais ressalvas sobre a autoridade (nenhuma) com que me meto nesta praia, que não é a minha.

Para definir o jornalismo literário, vamos começar pelo substantivo, que é jornalismo, deixando o adjetivo para depois. O que é o jornal? É um periódico, uma coisa feita de período em período. Por mais que pareça incrível, Franz Kafka, que nunca foi realmente um jornalista, tem a imagem mais perfeita que conheço sobre o assunto. Ele compara o jornal a um trem que sai todo dia, num determinado horário, vazio ou cheio, e de determinada plataforma, para chegar a outra. Se estiver lotado, tudo bem. Se estiver com lugares vazios, dará prejuízo, porque cada lugar sem passageiro não poderá ser reciclado, usado uma segunda vez.

Em países subdesenvolvidos, espera-se o trem encher, como um lotação, um pau-de-arara. Uma ferrovia civilizada faz o trem cumprir o horário, independentemente de estar cheio ou com lugares vazios.

O jornal é como um trem - dizia Kafka. Tem que sair em determinado dia, ou todos os dias, mas com uma diferença básica em relação aos trens: ele não pode sair vazio. Com assunto ou sem assunto, tem que ocupar todas as suas páginas, seja com anúncios, ilustrações ou textos paralelos, desvinculados de sua função natural, que é a notícia, a informação, o serviço da comunicação propriamente dito.

O veículo-jomal, ao contrário do veículo-trem, não pode sair com lugares não ocupados. E, para encher com alguma dignidade o ângulo morto de cada edição, apelou-se, entre outras coisas, para a crônica, que tem uma tradição paralela na história da comunicação humana.

Nos séculos 16 e 17, a crônica era um gênero-bonde, um gênero-ônibus, onde tudo cabia com o nome de crônica. Qualquer relato levava o nome de crônica, que tem embutido o conceito de tempo (cronos), cobrindo um período, sendo, portanto, um periódico.

Voltemos agora ao jornalismo dito literário. A literatura é, em essência, o oposto do período, do tempo. Ela procura ser intemporal, sem vínculo com a data - nada mais frustrante do que a literatura datada.

Daí a conclusão de que a crônica, como gênero jornalístico ou como gênero literário, é uma contrafação. Os mais radicais poderão considerá-la subjornalismo ou subliteratura. Dirão alguns: há crônicas admiráveis, e a citação de Machado de Assis é obrigatória, E cada um poderá citar um autor ou uma determinada crônica admirável Mas, se Machado não tivesse escrito os romances finais de sua carreira, seria hoje um João do Rio melhorado, um Humberto de Campos mais consistente.

Contudo não podemos ignorar que foi nos jornais, aqui e em outros países, que, para ocupar lugares vazios, os editores procuravam autores de textos exclusivamente literários, sem compromisso com o período, com a data. Em jornal, Manuel António de Almeida publicou as "Memórias de um Sargento de Milícias". Em jornal saiu "O Guarani", de José de Alencar. Grosso modo, o folhetim, mesmo com sua carga pejorativa,seria o padrão do jornalismo literário, o passageiro disponível que ocuparia o lugar de uma notícia, de uma informação, de um serviço.

Antes da existência dos jornais, a comunicação era feita por arautos ou mesmo por camadas de fumaça, à maneira dos índios, ou por sinais luminosos. Não corria o risco de ser confundida com a literatura. Quando os sinais foram codificados em palavras compostas por letras, a aproximação com a literatura tornou-se inevitável

Mas a notícia, base do jornal, é como a anedota em que Guimarães Rosa a comparava ao fósforo que se acende, brilha um instante e se apaga. Toma-se inútil como um fósforo queimado. Não funciona uma segunda vez,

Comprometido com a notícia, com o fato do dia, o jornal abriu espaços para a comercialização, que o sustenta industrialmente, e para os passageiros robotizados que podem ocupar os lugares vazios de cada edição. Surgiram então as colunas, os "potins", os "faits divers", as charges e, naturalmente, as crônicas, que são a expressão mais visível do jornalismo dito literário. Daí que os cronistas, mesmo os bem-sucedidos, são vistos como subprodutos, autores de circunstância que, mais cedo ou mais tarde, ficarão datados.

Resumindo a ópera: pode-se concluir que não há jomalismo literário. Há jornalismo e há literatura. Funcionam por meio de sinais ou símbolos, que são as palavras compostas por letras, mas nem todas as letras formam necessariamente aquilo que se compreende como literatura.

Há jornalistas que dominam a técnica e a composição do texto. Mas são eles, exatamente, que se tornam cada vez melhores à medida que deixam de ser literários.

Fonte: FOLHA DE S.PAULO
ILUSTRADA - E 16 sexta-feira, 6 de dezembro de 2002

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Olá! esse é um espaço para Textos Digitais.
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